Novo Testamento

>Mundo do cristianismo e meio ambiente

Posted on setembro 18, 2009. Filed under: Bíblia judaica, China, cristianismo, ecológico, judaísmo, Leonardo Boff, Meio Ambiente, Mundo, mundo natural, natureza, Novo Testamento, releitura |

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Jesus, o homem palestino que nasceu em Nazaré, por volta do ano 4 a.C., não aceitou todas as leis aplicadas pelo judaísmo, se tornou um profeta social, desafiou limites da época em que viveu e inspirou o surgimento da religião mais difundida no mundo, o cristianismo, que se estabeleceu décadas depois da estada dele na Terra. Surgiu então o Novo Testamento como releitura da Bíblia judaica, mas baseada na história que apregoou Jesus de Nazaré. Então, teria esse judeu revolucionário deixado ensinamentos sobre o cuidado com o meio ambiente?

Quanto a isso, o monge beneditino teólogo Marcelo Barros e o jornalista religioso Frei Beto apresentam que nas palavras e ações de Jesus não aparece um ensinamento ecológico de forma explícita, conforme os evangelhos. Embora as parábolas que ele contava se referiam constantemente à natureza, aos pássaros, aos lírios do campo, além de ter proposto aos discípulos dele que lessem os sinais do tempo no Sol, no céu e nas condições do vento, comentam.

Mas, o cristianismo atual carregado de dissidências, a partir da primeira igreja dirigida por Pedro e são muitas as ramificações pelo mundo afora, em nome de Jesus Cristo, oferece um legado enorme que pode ser aplicado e interpretado de diferentes maneiras. Quanto aos católicos romanos, a história está permeada de homem santos, a exemplo de São Francisco de Assis, condecorado como patrono da ecologia pelo papa João Paulo II, devido à veneração à natureza que ele possuía, a ponto de tratar as abelhas no inverno, dando-lhes mel e denominar os astros de irmão Sol e irmã Lua.

João Paulo II, o representante máximo da igreja dos romanos, em 1990, no Dia Mundial da Paz, afirmou: “Observa-se nos nossos dias uma consciência crescente de que a paz mundial está ameaçada, não apenas pela corrida aos armamentos, pelos conflitos regionais e por causa das injustiças que ainda existem no seio dos povos e entre as nações, mas também pela falta do respeito devido à natureza, pela desordenada exploração dos seus recursos e pela progressiva deterioração da qualidade de vida”.

No entanto, existem correntes de pensamento, com base em versículos bíblicos que interpretam que o fato de Deus ter colocado o homem como senhor dos animais e plantas, significa que as pessoas podem fazer o que bem entenderem deste mundo. Conforme consta no livro do Gênesis 1. 26-27, apregoado durante séculos pela igreja: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e que ele domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus disse, conforme o Gênesis, que era para que o homem crescesse e multiplicasse e depois o colocou no jardim do Éden.

Mas, seria o aumento populacional e os desastres ecológicos causados unicamente por esse preceito bíblico? Tal análise parte da consideração do princípio de que se o ser humano é superior aos demais seres e é o mais importante dentre eles, por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus, ele se apodera de uma postura antropocêntrica, como se fosse o senhor da natureza e explora ao bel-prazer o mundo afora para produzir alimento, bebida e abrigo, etc.

Contudo, existe também o pensamento contrário a esse, que ao interpretar os mesmos versículos bíblicos, considera que o Criador, ao dar poder ao homem sobre os outros seres, deu-lhe, na verdade, uma enorme responsabilidade, razão pela qual ele deve zelar, cuidar e amar a natureza e tudo que nela existe, como também amar ao próximo, tanto quanto a si mesmo. A verdadeira concepção vinda do hebraico sobre “dominai e submeter” não é de se sentir superior a natureza, dando-lhe o direito de destruí-la, mas, no sentido de cuidar dessa herança e fazê-la progredir o que nela contém, significa cuidar, proteger, como faz alguém que planta, rega e apara o jardim da própria casa, afirmam estudiosos.

Esse segundo pensamento parece coerente e mais reflexivo, ao analisar que a religião cristã não está no mundo inteiro, nem é unânime como crença universal. Será mesmo que ela teria tamanho poder de influenciar povos de todas as localidades para destruírem o meio ambiente, uma situação que é global, devido a uma interpretação radical dos versículos supracitados? Será que a destruição do meio ambiente ocorre somente aonde prevalece o ensinamento cristão? A exploração do petróleo nos emirados árabes, o uso exacerbado de combustíveis fósseis na China seria influencia do cristianismo? Parece não ter fundamento esse pensamento de apontar o cristianismo por essa razão.

O ensinamento cristão tem muito a oferecer sobre as questões ambientais. Segundo o filósofo e teólogo Leonardo Boff, a religião possui, a partir dos próprios conteúdos religiosos, uma função pedagógica de suscitar responsabilidade nos fiéis pela qualidade de vida. Num país de maioria cristã, como é o Brasil, seria auspicioso se todas as igrejas dessa corrente se comprometessem mais acentuadamente com esse tema, como tem sido com as causas sociais. Mas, como vê o teólogo Boff: “A religião como qualquer outra instância possui também suas limitações.”

Parece mesmo que falta ao homem um comportamento moralmente ético, mais espiritualista e com respeito ao mundo natural. No próximo artigo, a visão do jainismo sobre o mundo natural.

Fonte: A Gazeta – Autor: Jair Donato é jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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