olhos

>"Vem por aqui"

Posted on setembro 20, 2010. Filed under: cafezinho, cansaços, Eleição, florestas, história, ironias, olhos, Ricardo Noblat |

>Por Ricardo Noblat
– dizem-me alguns com olhos doces,

stendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom se eu os ouvisse

Quando me dizem: “vem por aqui”!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,

Por que me repetis: “vem por aqui”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós

Que me dareis machados, ferramentas, e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?…

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátrias, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: “vem por aqui”!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou…

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou,

— Sei que não vou por aí.

(Tomado emprestado de José Maria dos Reis Pereira, José Régio, poeta português do início do século passado. O nome do poema é Cântico Negro. Eu o ouvi pela primeira vez declamado por Paulo Autran em 1965.)

Olha a soberba, Dilma! Isso é lá jeito de se tratar um senador? Álvaro Dias (PSDB-PR) sugeriu que o Congresso a convidasse para falar sobre malfeitos ocorridos na Casa Civil. A senhora poderia ter calado a respeito. Ou simplesmente ter dito que o convite não passava de uma jogada eleitoral do senador o que de fato é. Mas daí a afirmar que, partindo dele, a senhora não aceitaria nem convite para cafezinho? Como imagina governar sem tomar cafezinho com aliados e adversários?

Só uma vez na história de Pernambuco, um governador foi eleito sem eleger seus dois candidatos ao Senado. Aconteceu com Miguel Arraes em 1994. Armando Monteiro Filho (PDT), que fazia parte da chapa dele, foi derrotado por Carlos Wilson (PSDB). Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, será reeleito governador com mais de 50 pontos de vantagem sobre Jarbas Vasconcelos (PMDB). E elegerá senador Armando Monteiro Neto (PTB). Pela primeira vez, Marco Maciel (DEM) perderá uma eleição.

E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br
BLOG DO NOBLAT: http://www.oglobo.com.br/noblat

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>Cinquentinha num piscar de olhos

Posted on dezembro 20, 2009. Filed under: Ano Novo, Cinquentinha, Natal, olhos, pensamento, piscar, sexo frágil |

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Ano novo chegando, clima de Natal, nada melhor para se fazer um balanço da vida. Até parece ser uma obrigação, da mesma forma como achamos que esse é o tempo de refletir sobre o que ainda podemos realizar nos próximos 12 meses. Considerando tudo isso e no ritmo do seriado Cinquentinhas, me lembrei que no nobre ano de 2010 estarei completando os meus 50 anos. Não tenho problema com idade, mas o cinco ponto zero certamente me remeterá a muitos questionamentos.

Incrível chegar aos 50 anos. Há pouco tempo parecia tão longe. Quando a gente tem 10 quer logo alcançar os 15 e daí 18, 20. A partir dos 30, tenho a impressão que o calendário acelera e tome 40, 50, 60. Epa vamo parando!… A modernidade deu a mulher a independência financeira, mas sobrecarregou o antigo sexo frágil. Mas ainda assim – não é por nada não, tá! – nos dias atuais ter 50 anos não significa o mesmo que em décadas passadas.

As rugas cravadas no meu rosto fazem parte da minha história. Aliás, há bem pouco tempo que me dei conta do quanto estou envelhecida, não sei exatamente definir se de alma ou de corpo, ou quem sabe os dois de uma só vez. O que eu posso dizer às vésperas dos cinquentinha? Sobretudo que, mesmo diante de tantos percalços, viver intensamente é o único modismo que o ser humano não deveria deixar de lado. A visão de mundo da gente vai se alterando com o passar do tempo e, muito raramente, não muda para melhor.

Creio que posso falar sobre isso com certa tranquilidade e satisfação. Sim, fui feliz e quero ser mais ainda! A rebeldinha caçula do seo João e da dona Nair que militava escondido no movimento estudantil nas décadas de 70 e 80 virou jornalista aos 22 como sempre desejou. Casou como quis. Teve filhos. E trabalha desde os 15. Para os 50 anos, planejo ser bem moleca de novo. Afinal, uma pitada de rebeldia em plena maturidade deve ser um tempero interessante.

Desculpe aí, tá. Mas quando a gente escreve o pensamento vai fluindo livre e às vezes sai andando em variadas direções. O meu me fez voltar à infância. Aquela inocência toda e menor ideia do que significava o tempo e o calendário mudando com uma velocidade quase cibernética. Dos anos 60 para 2010. Meus Deus! A menina do velocípede azul – era assim que se chamavam as motocas – que se sentia livre ao dar uma escapadinha do olhar atento da mãe, à cinquentinha que, pelo menos em tese, pode ir onde desejar sem falar nada a ninguém. É… crescer, envelhecer tem essas coisas.

Brindo os meus cinquentinhas que serão consagrados em maio com todas as cinquentinhas espalhadas por aí, minhas colegas de década. E sugiro: gente, que tal o exercício do perdão, o exercício da sofreguidão, o exercício do simples exercício… Na verdade, gastamos muito a vida em divergências, no confronto, quando o legal é conseguir atingir um estágio de equilíbrio em que a sensatez prevaleça sobre tudo. Eu digo sinceramente que estou nessa busca. Muitas vezes, admito, dou um passo à frente e dois para trás. Este ano que se vai não foi lá essas coisas. Mas como a eternidade se encarrega de tudo, tenho esperança.


Autora: Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá, diretora de Redação de A Gazeta
e-mail: margareth@gazetadigital.com.br – Fonte: A Gazeta

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