pensamento

>Cinquentinha num piscar de olhos

Posted on dezembro 20, 2009. Filed under: Ano Novo, Cinquentinha, Natal, olhos, pensamento, piscar, sexo frágil |

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Ano novo chegando, clima de Natal, nada melhor para se fazer um balanço da vida. Até parece ser uma obrigação, da mesma forma como achamos que esse é o tempo de refletir sobre o que ainda podemos realizar nos próximos 12 meses. Considerando tudo isso e no ritmo do seriado Cinquentinhas, me lembrei que no nobre ano de 2010 estarei completando os meus 50 anos. Não tenho problema com idade, mas o cinco ponto zero certamente me remeterá a muitos questionamentos.

Incrível chegar aos 50 anos. Há pouco tempo parecia tão longe. Quando a gente tem 10 quer logo alcançar os 15 e daí 18, 20. A partir dos 30, tenho a impressão que o calendário acelera e tome 40, 50, 60. Epa vamo parando!… A modernidade deu a mulher a independência financeira, mas sobrecarregou o antigo sexo frágil. Mas ainda assim – não é por nada não, tá! – nos dias atuais ter 50 anos não significa o mesmo que em décadas passadas.

As rugas cravadas no meu rosto fazem parte da minha história. Aliás, há bem pouco tempo que me dei conta do quanto estou envelhecida, não sei exatamente definir se de alma ou de corpo, ou quem sabe os dois de uma só vez. O que eu posso dizer às vésperas dos cinquentinha? Sobretudo que, mesmo diante de tantos percalços, viver intensamente é o único modismo que o ser humano não deveria deixar de lado. A visão de mundo da gente vai se alterando com o passar do tempo e, muito raramente, não muda para melhor.

Creio que posso falar sobre isso com certa tranquilidade e satisfação. Sim, fui feliz e quero ser mais ainda! A rebeldinha caçula do seo João e da dona Nair que militava escondido no movimento estudantil nas décadas de 70 e 80 virou jornalista aos 22 como sempre desejou. Casou como quis. Teve filhos. E trabalha desde os 15. Para os 50 anos, planejo ser bem moleca de novo. Afinal, uma pitada de rebeldia em plena maturidade deve ser um tempero interessante.

Desculpe aí, tá. Mas quando a gente escreve o pensamento vai fluindo livre e às vezes sai andando em variadas direções. O meu me fez voltar à infância. Aquela inocência toda e menor ideia do que significava o tempo e o calendário mudando com uma velocidade quase cibernética. Dos anos 60 para 2010. Meus Deus! A menina do velocípede azul – era assim que se chamavam as motocas – que se sentia livre ao dar uma escapadinha do olhar atento da mãe, à cinquentinha que, pelo menos em tese, pode ir onde desejar sem falar nada a ninguém. É… crescer, envelhecer tem essas coisas.

Brindo os meus cinquentinhas que serão consagrados em maio com todas as cinquentinhas espalhadas por aí, minhas colegas de década. E sugiro: gente, que tal o exercício do perdão, o exercício da sofreguidão, o exercício do simples exercício… Na verdade, gastamos muito a vida em divergências, no confronto, quando o legal é conseguir atingir um estágio de equilíbrio em que a sensatez prevaleça sobre tudo. Eu digo sinceramente que estou nessa busca. Muitas vezes, admito, dou um passo à frente e dois para trás. Este ano que se vai não foi lá essas coisas. Mas como a eternidade se encarrega de tudo, tenho esperança.


Autora: Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá, diretora de Redação de A Gazeta
e-mail: margareth@gazetadigital.com.br – Fonte: A Gazeta

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