Plano Real

>Para Delfim Netto a ajuda da economia mundial deu ao Brasil, terminou

Posted on novembro 7, 2010. Filed under: Delfim Netto, Dilma, FHC, Lula, Plano Real, superávit primário |

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João Wainer
O professor Delfim Netto acha que Lula entrega para Dilma Rousseff um governo melhor do que aquele que recebeu de FHC.
Com uma diferença: “A ajuda que o crescimento da economia mundial deu ao período Lula está terminando ou já terminou”.
O professor avalia que, sob Dilma, “o equilíbrio fiscal é fundamental”. Esgotaram-se “todos os truques possíveis”, disse Delfim. Acha que Lula e Dilma sabem disso.
Em entrevista aos repórteres Ivan Martins e José Fucs, o ex-cazar do milagre econômico da ditadura, que Lula converteu em conselheiro informal, declara-se otimista.
A conversa foi levada às páginas de Época. Delfim expôs diagnóstico e terapia. Soou em termos muito parecidos com os que vem sendo expostos por Dilma.
Abaixo, algumas das observações de Delfim:
– Conjuntura internacional: ”A Dilma recebe um governo muito melhor do que Lula recebeu. Com uma diferença: Lula pegou o governo quando vinha ventania de popa. Dilma vai receber o governo com ventania de proa. A ajuda que o crescimento da economia mundial deu ao período Lula está terminando ou já terminou.
– Consequências do novo cenário: “Você vai precisar de muito mais força do mercado interno se quiser manter seu ritmo de crescimento para continuar a distribuir renda. O Brasil precisará em 2030 dar emprego de boa qualidade a 150 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. Você não vai fazer isso exportando alimentos e minerais. Por mais complexas que sejam essas cadeias, você precisa de uma economia de serviços e industrial. Uma economia competitiva. Todas as políticas precisam incentivar a competição. Aliás, observem o que a Dilma disse sobre as agências reguladoras. Ela disse que gente competente será nomeada porque nós precisamos garantir a competição. Competição é o nome do jogo.
– Política fiscal: “Houve pequenos desvios na política fiscal em 2009 e 2010, mas há um grande exagero na crítica dos economistas que falam em desastre fiscal. […] A verdade é que não há desequilíbrio fiscal gigantesco no Brasil. Lula e Dilma sabem que o equilíbrio fiscal é fundamental. Eles sabem que a relação entre a dívida pública e o PIB é um fator importante quando se quer reduzir a taxa de juros real.
– Estratégia para baixar os juros: “É preciso coordenar a ação fiscal e monetária. Você tem de dar ao Banco Central o conforto de que o combate inteiro à inflação não vai ficar apenas na mão dele. O papel dele é construir, como construiu, uma expectativa de inflação estável. Mas o governo tem de sinalizar com clareza que vai reduzir a relação entre dívida e PIB daqui para a frente.
– Superávit primário: “Na verdade, você esgotou todos os truques possíveis. Se disser que vai aumentar o superávit primário aumentando a tributação, vai dar tudo errado. Mas reduzir a dívida implica o seguinte: os salários, os benefícios, os programas de redistribuição do governo, que são e foram fundamentais, terão de crescer ligeiramente menos que o PIB. De tal forma que se abra espaço para o investimento público. No passado, a carga tributária era de 24%, e o Brasil investia 4% do PIB. Hoje, a carga tributária é 36%, e o Brasil investe 1,5%.
– Poupança interna:  “[…] Temos de criar mecanismos de criação de poupança interna de longo prazo. E o Brasil tem uma vantagem em relação a isso: o mais sofisticado sistema financeiro de qualquer país emergente. O sistema financeiro brasileiro compete com o inglês e com o americano. Não tem comparação possível nem com o alemão. O Brasil está hoje no radar de 140 países e de 1,4 milhão de sujeitos que constituem seus portfólios com o real dentro”.
– Câmbio e juros: “É ilusão imaginar que você pode controlar o câmbio quando existe esse diferencial de taxa de juros em relação aos outros países. O Brasil é hoje o único peru com farofa disponível na mesa do mercado internacional. Por isso o dinheiro vem para cá. Não é possível controlar o câmbio com medidas fiscais, como a elevação do IOF. O ministro (da Fazenda) Guido Mantega sabe disso. Ele elevou o IOF em legítima defesa, porque a valorização cambial está destruindo um sistema sofisticadíssimo de produção que foi construído ao longo dos anos. Mas, para resolver a situação de forma duradoura, teremos de caminhar para uma taxa de juro real de 2% ou 3%. Isso é fundamental. Quando tivermos essa taxa, não vai mais ser preciso se preocupar com o câmbio.
– FHC X Lula: ”A ideia de que o mundo começou em 2003 é falsa, mas quem ajudou a fazer isso foi o PSDB. Ele é o maior inimigo do Fernando Henrique. O PSDB morre de inveja dele. Não consegue conviver com seu sucesso. Foi isso que ajudou o Lula a desconstruir FHC. Quando eles tentaram recuperar, já era tarde. […] Se você olhar, vai perceber que a privatização foi feita em estado de emergência. O Estado estava quebrado, precisava de dinheiro. E não há nenhuma privatização que não tenha produzido efeitos extraordinários. Mas o PSDB não foi capaz de defender as coisas mais importantes feitas por Fernando Henrique”.
– O Plano Real: “Foi uma pequena joia. Ter congelado a distribuição de renda sem que as pessoas tivessem entendido, ter liberado os preços, ter construído todo um equilíbrio no tricô e depois liberado tudo e ele continuar como estava. Foi uma coisa brilhante, um dos mais extraordinários planos de estabilização já construídos. Negar esse fato é uma estupidez”.
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Fonte: Escrito por Josias de Souza
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>2010: A Última eleição do século XX?

Posted on novembro 1, 2010. Filed under: Cameron, candidatos, Dilma e Serra, Eleição, Eleições Parlamentares, Medvedev, Obama, opinião pública, Plano Real, Programas Eleitorais, Reforma Política, Sarkozy, Sócrates, Zapatero |

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Observar a disputa deste ano permite ao analista discordar, ao menos pontualmente, da conclusão de Hobsbawn que “encurtou” o século XX no livro “A Era dos Extremos”, situando seu ponto final no início dos anos 90.
No Brasil, do ponto de vista político institucional, é forçoso reconhecer que, ao contrário, em boa medida ele ainda se arrasta. Destaco a seguir cinco evidências marcantes, remanescentes da moldura do século passado da qual muito provavelmente não teremos saudade.

1. A Idade dos Candidatos

Foi certamente a última eleição presidencial na qual a idade dos dois principais contendores – Dilma e Serra, ambos com mais de 60 anos – faz com que, a despeito do que a vida lhes reserve, a maior porção de sua experiência e militância política seja concentrada no século que passou. É inevitável que na próxima eleição candidatos do século 21 se façam presentes, e sigamos a trilha geracional dos Obama, Cameron, Sarkozy, Medvedev, Zapatero, Sócrates…

2. O Processo de Escolha

É muito difícil imaginar–se que em uma próxima disputa presidencial os militantes e simpatizantes dos partidos não venham a ter voz ativa na definição dos candidatos.
Primárias ou Prévias, o nome não importa, atualmente são utilizadas em países de culturas políticas tão diferentes como Estados Unidos, Inglaterra, França, Chile, Argentina, Uruguai, entre outros. Porque são instrumentos democratizantes, cuja capacidade de oxigenar o processo de seleção, de engajar a base partidária, de alavancar o grau de conhecimento dos postulantes, de pré–testar o posicionamento das candidaturas, sua utilidade, enfim, para fortalecer os postulantes é tão óbvia que com certeza os principais partidos, alguns dos quais já trazem esse dispositivo adormecido nos seus estatutos, não poderão continuar a ignorá-las como tolamente fazem hoje, substituídas pelo “dedazo” do líder ou de pequena confraria de caciques. Esse anacronismo vai ficar para trás.

3. As Eleições Parlamentares

Na campanha todos os candidatos se comprometeram com a Reforma Política. E não era sem tempo.
A Câmara Federal partidariamente fragmentada que mais uma vez emerge das urnas, independentemente do tamanho maior assumido pelo bloco do governo, traz percalços à governabilidade.
Esse fracionamento, no fundo, é a raiz de “mensalões” federais e de “mensalinhos” estaduais e tem origem em um sistema eleitoral – eleição proporcional com listas abertas e coligações – elaborado na redemocratização do pós guerra em meados do século passado.
A campanha de grande parte dos milhares de candidatos país afora agride a inteligência dos eleitores, sua propaganda polui as cidades, assim como polui a TV.
É dessa plataforma institucional obsoleta que decolaram Tiririca, hoje, como antes haviam feito Enéas, Macaco Tião, Cacareco, etc.
Um sistema imprestável e, no agregado, responsável por campanhas caríssimas.
Afora o compromisso do novo governo, a pressão da mídia, da opinião pública e dos financiadores das candidaturas virará essa página.

4. As Regras da Campanha

No bojo da Reforma Política deverão vir também mudanças substantivas nas normas que disciplinam as campanhas, e que incluem a remoção de dispositivos que promovem a hipocrisia, como a proibição de “campanhas antecipadas”, que traduz a obsessão legal por campanhas curtas, como se houvesse algum prejuízo para a democracia e para o eleitor no fato dele ter mais tempo para conhecer e avaliar os candidatos.
Nesse capítulo, será imprescindível a extinção ou redução drástica do tempo reservado aos Programas Eleitorais Gratuitos na TV e no Rádio, aquela meia hora de propaganda contínua duas vezes ao dia, concentrados em um mês e meio, típico exemplo de sobrevivência de um instrumento de comunicação do século passado, quando não havia sequer a Internet, e que foi criado bem antes da utilização entre nós das inserções ou comerciais, mais eficientes, alcançando maiores audiências, porque são distribuídas ao longo da programação.

É inconcebível que o bom senso não prevaleça uma vez já identificado o acentuado declínio da utilidade de tais programas, apesar dos seus custos astronômicos, o mais oneroso item do orçamento das campanhas.
Com essa medida, as disputas do século 21, contando com um papel maior da Internet, somado à cobertura da imprensa, aos comerciais de TV e Rádio, e com Debates, serão mais baratas e perturbarão bem menos a rotina dos eleitores.

5. A Agenda

Nos anos 90 seria finalmente equacionado um desarranjo estrutural que atormentou muitas gerações: a inflação e a instabilidade econômica foram domadas com o Plano Real e com as Reformas empreendidas durante o governo tucano.
No ciclo petista que se lhe seguiu seria acelerado o processo de distribuição de renda, pelo aumento significativo da magnitude dos programas sociais, do valor do salário mínimo e do acesso ao crédito pelos mais pobres.
Porém, ainda resta como herança do passado um contingente não desprezível de 30 milhões de miseráveis, que mereceu destaque nessa eleição. A compaixão pelos mais fracos continuou a ser uma nota marcante na sinfonia das campanhas.
Ao final do próximo governo, uma vez ampliada e consolidada a classe média, cumprida ou em andamento a promessa assumida por todos os postulantes de viabilizar o fim da miséria, estará encerrado o ciclo remanescente.
As próximas campanhas poderão, então, conferir centralidade a questões abrangentes e de grande repercussão nas próximas décadas.
Os brasileiros serão chamados a optar por diferentes visões estratégicas de desenvolvimento; a escolher entre abordagens alternativas de inserção no mundo globalizado; a definir opções de matriz energética, incluindo o papel da energia nuclear; de parcerias diplomáticas que privilegiem os hemisférios Norte ou Sul; de alternativas de sistemas de saúde e de educação, que incluam a discussão do seu financiamento; de como deve ser utilizado pelo Estado o tesouro enterrado no Pré-sal; e assim por diante. Como fazem em circunstâncias semelhantes países do Novo Mundo que de algum modo podem ser comparados ao nosso, como o Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
E desse modo, graças as nossas conquistas, daqui a quatro anos, despregados da velha moldura, experimentaremos as primeiras eleições do século 21.

Antonio Lavareda é sociólogo e cientista político. Seu livro mais recente é “Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais”, Editora Objetiva, 2009.

Fonte: Blog do Noblat

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>Carta à candidata Dilma

Posted on outubro 27, 2010. Filed under: Carta à candidata Dilma, FHC, Lula, Plano Real, PSDB, PT, Ruth Rocha |

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Meu nome foi incluído no manifesto de intelectuais em seu apoio. Eu não a apóio. Incluir meu nome naquele manifesto é um desaforo! Mesmo que a apoiasse, não fui consultada. Seria um desaforo da mesma forma. Os mais distraídos dirão que, na correria de uma campanha… “acontece“. Acontece mas não pode acontecer. Na verdade esse tipo de descuido revela duas coisas: falta de educação e a porção autoritária cada vez mais visível no PT. Um grupo dominante dentro do partido que quer vencer a qualquer custo e por qualquer meio.
Acho que todos sabem do que estou falando.

O PT surgiu com o bom sonho de dar voz aos trabalhadores mas embriagou-se com os vapores do poder. O partido dos princípios tornou-se o partido do pragmatismo total. Essa transformação teve um “abrakadabra” na miserável história do mensalão . Na época o máximo que saiu dos lábios desmoralizados de suas lideranças foi um débil “os outros também fazem…”. De lá pra cá foi um Deus nos acuda!

Pena. O PT ainda não entendeu o seu papel na redemocratização brasileira. Desde a retomada da democracia no meio da década de 80 o Brasil vem melhorando; mesmo governos contestados como os de Sarney e Collor (estes, sim, apóiam a sua candidatura) trouxeram contribuições para a reconstrução nacional após o desastre da ditadura.

Com o Plano Cruzado, Sarney tentou desatar o nó de uma inflação que parecia não ter fim. Não deu certo mas os erros do Plano Cruzado ensinaram os planos posteriores cujos erros ensinaram os formuladores do Plano Real.

É incrível mas até Collor ajudou. A abertura da economia brasileira, mesmo que atabalhoada, colocou na sala de visitas uma questão geralmente (mal) tratada na cozinha.

O enigmático Itamar, vice de Collor, escreveu seu nome na história econômica ao presidir o início do Plano Real. Foi sucedido por FHC, o presidente que preparou o país para a vida democrática. FHC errou aqui e ali. Mas acertou de monte. Implantou o Real, desmontou os escombros dos bancos estaduais falidos, criou formas de controle social como a lei de responsabilidade fiscal, socializou a oferta de escola para as crianças.

Queira o presidente Lula ou não, foi com FHC que o mundo começou a perceber uma transformação no Brasil.

E veio Lula. Seu maior acerto contrariou a descrença da academia aos planos populistas. Lula transformou os planos distributivistas do governo FHC no retumbante Bolsa Família. Os resultados foram evidentes. Apesar de seu populismo descarado, o fato é que uma camada enorme da população foi trazida a um patamar mínimo de vida.

Não me cabem considerações próprias a estudiosos em geral, jornalistas, economistas ou cientistas políticos. Meu discurso é outro: é a democracia que permite a transformação do país. A dinâmica democrática favorece a mudança das prioridades. Todos os indicadores sociais melhoraram com a democracia. Não foi o Lula quem fez. Votando, denunciando e cobrando foi a sociedade brasileira, usando as ferramentas da democracia, quem está empurrando o país para a frente. O PT tem a ver com isso. O PSDB também tem assim como todos os cidadãos brasileiros. Mas não foi o PT quem fez, nem Lula, muito menos a Dilma. Foi a democracia. Foram os presidentes desta fase da vida brasileira. Cada um com seus méritos e deméritos.

Hoje eu penso como deva ser tratada a nossa democracia. Pensei em três pontos principais.
1) desprezo ao culto à personalidade;
2) promoção da rotação do poder; nossos partidos tendem ao fisiologismo. O PT então…
3) escolher quem entenda ser a educação a maior prioridade nacional.

Por falar em educação. Por favor, risque meu nome de seu caderno. Meu voto não vai para Dilma.

SP, 25/10/2010

Ruth Rocha, escritora

Fonte: Blog do Noblat

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>A favor das privatizações

Posted on outubro 21, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Dilma Rousseff, Embraer, José Serra, Plano Real, privatizações, PSDB, Telebrás, telefonia, Vale do Rio Doce |

>Por Alfredo da Mota Menezes*

Dilma Rousseff usa a privatização de estatais como arma de acusação ao candidato do PSDB. O José Serra poderia pedir a Dilma que se comprometa perante o povo brasileiro que, se eleita, estatizaria outra vez a telefonia no país. Nem que a vaca tussa ela faria isso.
Será que foi uma coisa maléfica as privatizações? Coloco alguns números que roubo de uma revista de circulação nacional sobre o assunto.
Quando a Telebrás foi privatizada, ali por 1999, o Brasil tinha 22 milhões de linhas telefônicas fixas. Hoje possui 60 milhões, aumento de 172% em algo como dez anos. Telefone, gente, era deixado em herança para os filhos. No momento da privatização, no Brasil havia 7,3 milhões de celulares, hoje tem 190 milhões ou aumento de 2.478%. Uma linha custava cerca de nove mil reais e levava três anos para ser instalada. Hoje custa 115 reais e sete dias para a instalação. O setor dá emprego agora a mais de 400 mil pessoas no Brasil.
Reclamam demais da privatização da Vale do Rio Doce. Vejam os números de antes e de agora. Em 1997 o valor de mercado dela era de oito bilhões de reais. Hoje é de 272 bilhões, aumento de 3.265%. O lucro líquido dela naquele ano foi de 756 milhões, hoje é de 10 bilhões. O mais importante: possuía 11 mil funcionários, hoje tem 40 mil, aumentou 264%.
A Embraer vendeu em 1997 quatro aviões, em 2010 vendeu 227, aumento de 5.575%. Possuía seis mil funcionários, hoje 17 mil, aumento de 179%. Além disso, as empresas privatizadas pagam muito mais impostos que antes.
As privatizações arrecadaram 106 bilhões de dólares. Sem esse dinheiro não se teria a redução da dívida pública e nem o equilíbrio fiscal. O Plano Real, que controlou a inflação e ajudou a vida de milhões de brasileiros, seria também afetado. Alguém é contra isso? O PSDB fala nisso nos debates ou no horário gratuito?
O mundo comunista inteiro vendeu as estatais. A China hoje faz a mesma coisa e não demora Cuba fará também. A América Latina toda vendeu suas estatais. No Brasil a coisa é usada como se fosse um belzebu.
Alguém em MT quer de volta a velha Cemat? Aquela que a Secretaria de Fazenda tinha que ajudar no fim do mês a pagar suas contas? Aquela que qualquer dinheiro que caía nas contas era tomado pela Justiça Trabalhista?
Alguém quer de volta o Bemat? Aquele que tinha nomeações políticas para gerir dinheiro num mundo capitalista? Aquele que emprestava dinheiro aos amigos do rei sem quase nenhuma garantia?
Perguntem ao Blairo, Silval e Pagot, que coordenam a campanha da Dilma em MT, se eles são contra as privatizações.
Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
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>PT, oposição e Marina

Posted on julho 29, 2010. Filed under: Colégio Eleitoral, Dilma, elite, Lula, Marina, Oposição, Plano Real, Proer, PT, Responsabilidade Fiscal, Tancredo Neves |

>Por Alfredo da Mota Menezes

A oposição ao Lula e ao PT passou anos sem saber como fazer oposição. Agora resolveu bater e gente do partido e da campanha logo falou em golpismo, preconceito, udenismo, conspiração da elite.
Estranha reação. O PT e o Lula se fizeram politicamente batendo para valer em quem estivesse pela frente. Agora, quando a oposição usa, ainda que timidamente, o mesmo recurso, parece que o mundo vai acabar.
Só para refrescar a memória. O PT e o Lula foram contra o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Proer ou programa de recuperação dos bancos, a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral que empurrou a ditadura para a história, contra o programa econômico do Malan (depois adotado), contra as privatizações e a renegociação das dívidas de estados e municípios e não assinou a Constituição de 1988.
Nem estou falando dos casos de se bater em gentes e partidos, só em algumas ações que mudaram o Brasil. Batendo em tudo e em todos, o grupo chegou ao poder. A oposição, somente agora na campanha, tenta usar o que o PT usou e é acusada de baixar o nível ou de mentir para a população.
Acho que mais que bater a oposição teria que decifrar o enigma Dilma para a sociedade. Ela, escreveu alguém, é ainda uma embalagem. Produzida para a campanha, não mostrou ainda o que é. Ela não pode se esconder o tempo todo no Lula. O Brasil já teria que conhecê-la por inteiro, como conhece o Serra e a Marina. A oposição não está sabendo como tirá-la do casulo.
Outro fato do momento chama atenção. A esquerda no Brasil sempre disse que a elite abusava da lei, que era feita somente para os mais pobres ou contra os partidos menores. Hoje a candidatura do PT abusa da Lei Eleitoral e até desqualifica quem quer aplicá-la. Se comporta da mesma forma que a tal da elite antes criticada.
A maioria das pessoas egressas da esquerda política acha que nunca erra. O erro é sempre dos outros. É uma distorção que vem da história.
Os que defendiam o socialismo acreditavam que estavam ao lado da verdade. Que, acontecesse o que fosse, lá na frente, sem nenhuma dúvida, suas teses seriam vencedoras no mundo. O Muro de Berlim caiu, a esquerda se esfarelou e ainda tem gente com a boca torta pelo cachimbo histórico.
Um comentário sobre uma antiga petista. Assisti longa entrevista da Marina Silva por um canal de televisão. Bem vestida e produzida, tendo à frente bons debatedores, ela é articulada nas respostas.
Até acho que a Dilma Rousseff não quer participar de debates não é com receio do Serra. É da Marina. A comparação entre as duas favoreceria à antiga petista. Confirmaremos isso no momento apropriado.
Se ela fosse candidata do Lula no lugar da Dilma, o Serra já estaria na poeira há muito tempo. Cara do Brasil, articulada, com uma história de vida interessante e com apoio do Lula seria uma parada indigesta para a oposição.



Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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>O momento fez o Lula

Posted on junho 29, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Depressão, Fernando Collor, FHC, Getúlio Vargas, Inflação, Lula, Plano Real, sorte |

> Por Alfredo da Mota Menezes

Existe uma expressão em história que diz que não é o herói ou o líder que faz o momento, é o inverso. O que adiantaria aparecer hoje Napoleão Bonaparte? Ele apareceu no momento certo, que o fez. Sua grande habilidade foi entender o momento. Outros nomes na história não souberam entender e usar o momento.
Alguns exemplos históricos talvez ilustrem esse aspecto. Getúlio Vargas, o primeiro “pai dos pobres”, virou mito, entre outros motivos, porque deu assistência ao trabalhador, incluindo as leis trabalhistas, no momento da grande migração brasileira do campo para as cidades.
O mundo estava investindo no trabalhador, até na Itália fascista. Os EUA, por causa da Depressão econômica, foram por aí também. Na Argentina surge o Justicialismo ou a grande ligação que o trabalhador terá com o peronismo. Foi Perón que fez aquilo ou o momento o conduziu a fazer aquilo? O mesmo se pode dizer de Lázaro Cárdenas no México.
Vindo para casa. O presidente Lula descobriu que se deveria investir no pobre ou foi o momento que o levou a isso? Está se transformando em novo “pai dos pobres” por sorte na política. Goleiro bom e político têm que ter sorte. Lula tem de sobra.
Imaginemos que o Lula tivesse ganho de Fernando Collor a eleição para presidente de 1989. Inflação desbragada, descontrole nas contas públicas, adaptação à nova Constituição. Se ganha do Collor, naquele momento complicado, ele teria tempo e meios para investir no pobre? Teria tirado milhões da pobreza?
Imagine que o Lula ganhasse de FHC em 1994. Para consolidar o Plano Real, que ele era contra, deveria tomar as amargas medidas que o ex-presidente tomou. Todas que a esquerda condena até hoje ou ações neoliberais. Naquele momento de ajustes na economia, Lula teria dinheiro para tantas Bolsas Família? Naquele momento de transição, Lula tiraria milhões da pobreza? Era outro momento complicado para ele assumir a presidência.
Ele assume o governo com as contas públicas se ajeitando, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, com um plano econômica em andamento e a economia se estabilizando. As pessoas mais pobres, que sofreram o diabo naquele ajuste fiscal, precisavam de apoio para sair do sufoco. Veio o Lula e caminhou por aí, como o Serra ou outro teria caminhado. O momento conduziu o Lula àquelas ações. O momento o fez e não o contrário.
Com a estabilização da economia mais gente foi incorporada ao mercado consumidor. Outra vez o presidente estava no lugar e na hora certa. O momento o está transformando na pessoa que tirou tantos milhões de uma classe social para outra. O Lula entendeu o momento e foi em frente.
Tem outra característica daqueles que entenderam e usaram com inteligência o momento: o discurso. Napoleão, Roosevelt, Perón, Vargas e agora o Lula. O momento histórico e o discurso convincente fizeram esses mitos. Também o homem de Garanhuns.

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br

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