popularidade

>Porque o ideal é a eleição de Dilma

Posted on agosto 12, 2010. Filed under: Bolsa-Família, Dilma, dinheiro, Eleição, José Serra, Lula, Orçamento, PIB, popularidade |

> Por Alfredo da Mota Menezes

Escrevi nesta coluna que seria melhor para a oposição que a Dilma Rousseff ganhasse a eleição. Ela que fizesse os complicados ajustes nas contas do governo. Se fosse alguém da oposição, seria acusado de impedir o crescimento e o governo Lula seria colocado nas nuvens. Se a Dilma ganha, ao tentar fazer os ajustes, o governo anterior seria exposto perante a opinião pública.
Citei alguns números naquele artigo, outros estão aparecendo. Pego três matérias da imprensa nacional dos últimos dias.
O jornal “O Estado de São Paulo” mostrou que o governo Lula recebeu do anterior um saldo a pagar de 22,6 bilhões de reais. Vai deixar 90 bilhões a pagar para quem for à presidência.
Maílson da Nóbrega na revista Veja mostra que a situação fiscal piorou. O “consumo do governo passou de 4,2% do PIB para 8,8%” e a carga tributária de 32% para 36% do PIB (não há mais espaço para aumento de impostos). Investimento na infra-estrutura teve 0,6% do PIB ou pouco mais de 10% das necessidades. Transporte é o grande gargalo do país.
Não se aproveitou a popularidade do presidente para se fazer reformas como previdência, trabalhista e fiscal. Acredito que o Lula não as fez com receio de perder popularidade. Deixa o problema para quem vier atrás.
A melhor análise da situação das contas do governo é a longa matéria de Gustavo Patu na Folha de S. Paulo. Quem suceder Lula “assumirá sem recursos para patrocinar um novo ciclo de expansão dos programas sociais” ou nas áreas de segurança, previdência, Bolsa Família, saúde e amparo ao trabalhador. Só na previdência, no ano passado, os gastos superaram em 34 bilhões de reais a arrecadação.
Diz que quando o petista chegou ao governo em 2003 “a seguridade social tinha um superávit modesto”. O aumento do salário mínimo, da Bolsa Família, gastos crescentes na previdência, isenções fiscais e a perda da CPMF jogaram a situação fiscal da seguridade social para algo complicadíssimo.
Diz ainda que os países da OCDE investem em saúde, em média, 6,4% do PIB. O Brasil chegou a 3,6%. Desse total o governo federal só investiu 1,76%, o resto é de prefeituras e governos estaduais.
Frente aos números nacionais é melhor a Dilma Rousseff ganhar. Se for alguém da oposição, ao pisar no breque da economia, será sacrificado. Se for a Dilma, vão apontar o dedo para o governo que a antecedeu como a fonte de problemas nas contas públicas. Atrapalharia a biografia do Lula.
O que chama a atenção é que, na campanha, a oposição não fala nada disso. Fica com um discurso chocho, como foi o do Geraldo Alckmin em 2006.
Em Mato Grosso, os candidatos ao governo, para minorar a situação na saúde e na segurança, falam que irão buscar recursos em Brasília. Os números mostram que não vão conseguir nada.
E, além disso, segundo o ex-governador Maggi, sobram somente 3% do orçamento estadual para investimento em todas as áreas. Onde os candidatos vão arrumar dinheiro para investir no patamar que estão falando?

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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>É hora da prestação de contas

Posted on março 12, 2010. Filed under: Blairo Maggi, Copa do Mundo, CPI da Saude, Fethab, governo, Palácio Paiaguás, popularidade, prestação de contas |

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Lourembergue Alves

Faltam poucos dias para o atual governo chegar ao seu final. Uma administração que teve, assim como todas as outras, pontos positivos. Dois desses pontos, talvez os mais importantes, o de manter a estrutura deixada pelo seu antecessor, capitaneada pelo Fethab, e ter avançado no “esquema” de consórcios com empresários e prefeituras, responsáveis pelo asfaltamento de rodovias destinadas ao escoamento da produção.

Isso, entretanto, é pouco pelo muito que era possível realizar. Sobretudo quando se sabe das condições em que o Estado lhe foi entregue. Em condições infinitamente melhores que todos aqueles, que vieram antes dele, receberam. Pois a “casa estava arrumada”, sem algumas das “mats”, que mais serviam de “cabides de emprego”, e esta unidade da federação já se destacava como “celeiro” e “terra da promissão”, onde levas migratórias encontraram seus refúgios e áreas propícias para a produção. Daí o seu crescente índice percentual de grãos, de carnes e de soja, cujas exportações superam, ano a ano, as expectativas. Favorecidas que são pelo mercado interno e externo, é claro.

Desse modo, trazendo divisas para cá, e, ao mesmo tempo, permitindo o aumento da arrecadação, principalmente do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), extraído da cobrança sobre o valor do óleo diesel, produção agrícola e pecuária. Desse montante arrecadado, e não foi pouco, são destinados cerca de 30% para a construção de casas populares e 70% para obras nas rodovias estaduais. Ainda assim, as obras realizadas ficaram muitíssimo aquém do necessário. É possível encontrar estradas cheias de buracos, a exemplo das que cortam o chamado Oeste do Estado. Explica-se, portanto, a baixa popularidade do governador nesse pedaço de Mato Grosso.

Cenário que se completa com o caos da saúde, educação e da segurança pública. Nada disso, no entanto, foi discutido por aqui. Nem a Assembleia Legislativa, responsável que é para desempenhar o papel de fiscalizadora do Executivo regional, se ateve aos problemas registrados. A CPI da Saúde, recentemente instalada, tem outro objetivo. Infelizmente! Assim, os parlamentares passam todo tempo “dizendo amém” a tudo que vem do chefe da administração pública estadual. Perdeu, então, sua condição de foro permanente de debates. Pois as mensagens encaminhadas à Casa eram e são aceitas sem demora e discussão, assim como se dá também com os projetos que lhe são enviados. O mais recente deles, a título de exemplo, criou a Agecopa, que já nasceu sob o clima de acomodação dos amigos do governador.

Ninguém, contudo, se pronunciou a respeito. A mídia local se fez muda, além de abafar uma ou outra voz que tentou se levantar em meio à taciturnidade reinante.

Nesse sentido, vale acrescentar, não houve uma prestação de contas do governador, nem mesmo sobre a viagem que Sua Excelência fizera à África do Sul, com o fim de visualizar o que está sendo feito em termos de organização para a Copa do Mundo deste ano, levando a tiracolo mais de trinta pessoas, entre os quais dois médicos.

Seria, agora, a oportunidade que resta para cobrar do atual inquilino do Palácio Paiaguás o relatório de tudo que fora feito. Mas, veja bem, relatório, não peça de propaganda, com a qual o governador possa se autopromover, a exemplo do que tem feito ao longo desses sete anos e quase três meses.

Autor:Lourembergue Alves é professor universitário e articulista – Fonte: A Gazeta– E-mail: lou.alves@uol.com.br
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>Ao brincar de Deus, Lula se dá conta de que é mortal

Posted on janeiro 31, 2010. Filed under: autêntico, FMI, genuíno, humildade, Lula, popularidade |

> Orlandeli

As piadas, como as ideologias, são moldadas pelo tempo. Corre em Brasília uma dessas anedotas velhas que as circunstâncias se encarregam de ajustar.

O presidente saía do banho. Trazia uma toalha amarrada na cintura. A caminho do closet, deu de cara com uma camareira do Alvorada.


Súbito, o nó que prendia a toalha se desfez. E o pedaço de pano que lhe protegia as vergonhas foi ao solo. A camareira arregalou os olhos: “Óhhhh! Meu Deus!”.


E o presidente, com ar de indisfarçável superioridade: “Sim, sim, companheira. Mas pode me chamar de Lula”.


Na última quarta-feira, falando para uma platéia de pernambucanos amistosos, Lula discorreu sobre algo que lhe causa jucunda satisfação.


“Vocês estão lembrados, o orgulho que eu tenho, quando o FMI chegava aqui no Brasil humilhando o governo brasileiro…”


“…Já descia no aeroporto, dando palpite, dizendo o que a gente tinha que comprar, o que a gente tinha que vender, o que a gente tinha que estatizar…”


“…Agora quem fala grosso sou eu. Porque, se antes era o Brasil que devia ao FMI e ficava que nem cachorrinho magro, com o rabo entre as pernas, agora quem me deve é o FMI”.


Vale a pena repetir dois pedaços do raciocínio do presidente. O primeiro: “Agora quem fala grosso sou eu.” O outro: “Agora quem me deve é o FMI”.


Os ouvidos sensatos alcançados pelo lero-lero de Lula viram-se tentados a perguntar: Eu quem, divino presidente? Eu quem, supremo mandatário?


Ora, quem deu o dinheiro que o Brasil borrifou nas arcas do FMI foi a bugrada. Lula apenas o gastou. O Fundo deve aos brasileiros, não a Sua Excelência.


Parece implicância, mas é preciso dizer: Tudo leva a crer que algo de muito errado sucede com a cabeça do presidente da República.


Falta-lhe o parafuso que fixa as sinapses que ligam os neurônios do bom-senso aos da humildade. Lula esforça-se para mimetizar Luís XIV de Bourbon.


O soberano francês foi ao verbete da enciclopédia como autor da frase fatídica: “L’État c’est moi”. Lula o ecoa: “O Estado sou Eu”.


O presidente não gosta da rotina de Brasília. A idéia de acordar, pendurar uma gravata no pescoço e ir ao Planalto para receber, digamos, Edison Lobão o aborrece.


Dono de popularidade alta e de discurso baixo, Lula prefere a eletricidade proporcionada pelas multidões à frieza das audiências individuais.


Sua praia é o palanque. A visão das platéias hipnotizadas o conduz a um plano superior. Agrada-o a sensação de espectadores que o vêem como um Deus.


Lula aceita o papel. Gostosamente. À medida que se aproxima do final, seu governo vai virando um grande comício. Um comício entrecortado por audiências brasilienses.


No caminho para as estrelas, Lula pisa nos tribunais, distraído. Em campanha aberta por Dilma Rousseff, testa os limites da Justiça Eleitoral.


Se o TCU e o Congresso cortam as verbas de obras tisnadas pela irregularidade, o presidente “dá” o dinheiro. Com uma canetada, libera R$ 13 bilhões.


Às favas com os auditores. Que se dane o Congresso. A oposição chiou? São uns “babacas”. Não se opõem ao presidente. São rivais da razão divina.


No discurso de quarta-feira, aquele em que celebrou o fato de que o FMI lhe deve, Lula exagerou. Brincou de Deus.


Inaugurava um posto de saúde em Pernambuco. A alturas tantas, fez uma pilhéria premonitória: “Dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui”.


Adoeceu. Não foi à cama do “seu” estabelecimento. Levaram-no, obviamente, a um hospital de primeira linha, mais condizente com sua condição de presidente.


Lula atravessou uma dessas experiências que dão aos (falsos) deuses a incômoda sensação de finitude.


Foi como se Deus –o autêntico, o genuíno –soprasse nos ouvidos do seu genérico: “Não desperdice a popularidade que Eu te dei. Aproveite o seu tempo…”


“…Celebre os acertos, reveja os erros. Respeite as diferenças. Não apequene sua grandeza. Reaprenda a saborear as delícias da humildade!”

Fonte: Josias de Souza

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>O jardineiro feliz

Posted on dezembro 14, 2009. Filed under: afinidade, Casa Civil, CPI dos Correios, dinheiro público, Escândalo, feliz, ideológica, jardineiro, Lula, mãos, mensalão, popularidade, Presidente |

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“Presidente, eu penso igual ao senhor”.
(Dilma Rousseff em diálogo ensaiado com Lula no programa do PT na televisão)

Jamais Lula foi tão franco e direto a respeito do assunto quanto na última quinta-feira em São Luís do Maranhão, reduto político de quem já foi chamado por ele de ladrão: “Não se trata de ter amigos ou não ter amigos. Não se trata de ter afinidade ideológica ou não ter afinidade ideológica. Se trata do pragmatismo da governança”. Perfeito!

Lula poderia ter admitido que existe limite para tudo. Paulo Maluf estabeleceu o dele em casos onde aflorem os instintos mais primitivos: “Estupra, mas não mata”. Vai ver que não existe limites para Lula. Vai ver que seu índice de popularidade serve antes de tudo para justificar transgressões.

Em 2006, durante comício em Belém, Lula agradeceu o apoio de Jader Barbalho (PMDB) beijando sua mão. As mãos de Jader logo aquelas mãos! haviam sido algemadas anos antes sob a suspeita de ter manuseado dinheiro público desviado irregularmente. Tem voto? Vem para meu jardim você também, vem…

Jader é hoje mais uma flor exuberante no quintal do jardineiro feliz onde estão reunidos Fernando Collor, José Sarney, Romero Jucá, Romeu Tuma, Sandro Mabel, Severino Cavalcanti, e por aí vai. Sem esquecer os mensaleiros. E a maior fatia do PMDB. Se colhidos formariam um belo ramalhete a ser depositado no altar da governança.

Esse não foi o Lula eleito presidente da República em 2002 pela maioria dos brasileiros. O Lula escolhido batia duro na corrupção e prometia manter segura distância de corruptos. Mas é fato que sempre existiu o Lula para quem vale tudo quando o poder está em jogo. Apenas havia sido disfarçado por artes da propaganda e do marketing.

A poucos meses de ser eleito presidente pela primeira vez, por exemplo, Lula testemunhou em um apartamento de Brasília a compra do apoio do PL à sua candidatura. Custou pouco mais de R$ 6 milhões. Foi fechada por José Dirceu, Delúbio Soares e o deputado Valdemar Costa Neto, presidente do partido.

Apontado mais tarde pela CPI dos Correios como um baita mensaleiro, Valdemar renunciou ao mandato para escapar de ser cassado. Dirceu foi demitido da a chefia da Casa Civil afinal, como Lula não sabia do mensalão, alguém tinha que saber. Cassaram-lhe o mandato de deputado. Delúbio está de volta como aspirante a deputado.

Com o escândalo do mensalão Lula extraiu uma lição perversa: para conservar o poder deveria ceder a todas as exigências dele. No primeiro mandato, por birra ou erro de cálculo, resistira a sentar no colo do PMDB ou a pô-lo no colo. No segundo escancarou as porteiras para o PMDB e mais 13 partidos. Sem essa de perder o poder.

Perdera Dirceu, que poderia sucedê-lo. E Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, pobre vítima do então presidente da Caixa Econômica Federal que, à sua revelia, quebrou o sigilo bancário de Francenildo da Costa, o caseiro que disse ter visto Palocci dezenas de vezes em uma mansão alegre de Brasília.

Não foi esse o entendimento do Supremo Tribunal Federal? Não se trata, por todos os méritos, da mais alta corte de homens sábios, justos e coerentes do país? E então? Puna-se o ex-presidente da Caixa porque Palocci já foi injustamente punido no rastro do escândalo turbinado pela mídia golpista.

Uma vez mandado às favas todos os escrúpulos, Lula olhou para Dilma Rousseff e disse: eis alguém que poderá me suceder para depois ser sucedido por mim. Nem Dilma se julgava tão capaz. E Lula deve ter pensado: como filho do Brasil e um de muitos de Deus, estou certo. Se não estivesse, Ele me daria algum sinal.

E Lula viu a oposição. Retificando: Lula não viu porque ela não existe. Viu uma gente medrosa, desarticulada, sem discurso e ao que parece conformada com o desastre que se avizinha. E Lula finalmente concluiu: Vai dar!

Anote aí: Lula vencerá em 2010. Salvo se Dilma perder. Charada? Não. Em 2002, Ciro Gomes perdeu para ele mesmo tantos foram os erros que cometeu. Dilma não está livre disso.

Autor: Ricardo Noblat – Fonte: A Gazeta

E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br – Blog do Noblat: http://www.oglobo.com.br/noblat


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