povo

>Para o povo ou com o povo?

Posted on novembro 2, 2010. Filed under: abstenções, apresentadores, âncoras, comentaristas, DEM, Dilma Rousseff, eleições 2010, José Serra, metamorfose, Michel Temer, PMDB, povo, pronunciamento, PSDB, repórteres |

>Por Carlos Chagas

Eleições 2010 – Do primeiro pronunciamento de Dilma Rousseff depois de eleita fica uma dúvida: ela enfatizou o sentido republicano e o compromisso democrático de sua eleição, mas ressaltou estar disposta a governar para todos. 
Atenção na declaração: para todos, não com todos. Há uma diferença sutil que tanto os aliados quanto as oposições começavam ontem mesmo a analisar. Não que o PSDB, o DEM e penduricalhos esperassem alguma participação no novo governo, sequer através de propostas e sugestões. Sabem estar naturalmente excluídos do poder nos próximos quatro anos, como nos últimos oito.
O problema aparece para o PMDB e demais partidos que se empenharam pela vitória da candidata. E até para alguns companheiros. A preposição não admite discussões. Muita gente vai ficar de fora, como a partícula comprova. Ainda que todos os cidadãos possam vir a ser beneficiados pelos planos e programas da nova administração, conforme as boas intenções da presidente eleita, apenas alguns participarão da obra de governo.
Passa-se de imediato da teoria à prática. O PMDB não tem certeza de manter os seis ministérios que ocupa no governo Lula. Muito menos as centenas de diretorias de empresas estatais ou da administração direta. A tolerância do presidente Lula para com seus aliados poderá não se constituir na característica da sucessora, inclusive porque falou duro quanto se referiu à meritocracia para o exercício das funções públicas, pautando as nomeações.
Michel Temer que se cuide, apesar de duas vezes citado no discurso inicial de Dilma. Já tendo sido gentilmente escanteado na campanha, nada indica que poderá entrar no gabinete presidencial com uma lista de peemedebistas propostos para ministérios e adjacências. Assim também o monte de papagaios de pirata flagrados atrás da nova presidente em suas primeiras horas de aparição vitoriosa.
Uma dedução pode ser tirada para os tempos que se aproximam: em muito difere do Lula a primeira mulher a exercer a chefia do Executivo. O país verá aposentadas as tiradas de humor duvidoso e de comparações futebolísticas em troca de raciocínios e de iniciativas diretas e ásperas. A complacência cederá lugar à cobrança.
MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO
Não se passaram quinze minutos após a confirmação, pelos primeiros números, de que Dilma Rousseff já estava eleita: uma singular metamorfose atacou apresentadores, âncoras, comentaristas e repórteres televisivos empenhados na narração das apurações. Fora as exceções de sempre, durante semanas, até meses, seguindo exigências e orientação dos responsáveis pelas redes, esses profissionais esmeraram-se em tratar a candidata com arrogância. Até levá-la ao ridículo tentaram. Caracterizada a vitória, virou objeto de devoções profundas. Tornou-se uma estadista.
Essas mudanças de comportamento fazem parte da natureza humana, mas, convenhamos, a mudança aconteceu rápido demais. Algumas horas depois, o mesmo fenômeno pode ser constatado pela leitura dos jornalões de ontem. A nova presidente não era mais a parceira de Erenice Guerra. Tornou-se a esperança nacional.
AS HIENAS DE SEMPRE

Deve preparar-se José Serra para o período das amargas. Começam a botar as unhas de fora aqueles que antes aderiram à sua candidatura por falta de opções, inveja ou sentimentos piores. Apontam, só agora, erros, falhas e vícios do período de campanha, quando davam a impressão de devotados e fiéis acólitos do candidato. Chegam a dizer que Serra deveria ter ficado em São Paulo, quanto tinha a reeleição certa de governador. Levantam críticas diante da aceitação de um silvícola para vice-presidente na chapa tucana, quando nem uma palavra levantaram diante da estranha indicação do deputado Índio da Costa. Sustentam que melhor teria sido a realização de prévias junto às bases do PSDB, que Serra rejeitou, e até supõem que se o candidato tivesse sido Aécio Neves, as eleições poderiam ter tido outro resultado. Trata-se de um abjeto acerto de contas, digno das hienas.
ABSTENÇÕES

No total, 29 milhões de eleitores abstiveram-se de comparecer às urnas, domingo. Um número proporcionalmente jamais verificado antes. Efeitos do feriadão, em grande parte, como mostraram as imagens da praia do Guarujá, mas não apenas isso. No Norte e no Nordeste, faltaram condições para o deslocamento de muita gente até as seções eleitorais, como no país inteiro proliferaram os desiludidos, aqueles para quem nem Dilma nem Serra mereceriam seu esforço cívico. Há uma contradição entre os que defendem o fim do voto obrigatório e o crescimento das abstenções, mas, no fim, quem terá sido mais prejudicado por elas? Sem dúvida alguma, José Serra.
Fonte: CH
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>Lula ofende o povo israelense no primeiro dia por negar colocar flores no túmulo de Theodor Herzl

Posted on março 15, 2010. Filed under: ambição, Cuba, Haaretz, Israel, israelense, Lula, ofende, povo, Theodor Herzl |

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O presidente de Israel, Shimon Peres e seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva,
fazem a revista da guarda de honra durante cerimônia de boas vindas, em Jerusalém.
Critiquei aqui na sexta-feira uma reportagem incrivelmente idiota assinada por Adar Primor, publicada no jornal israelense Haaretz. Lula era saudado como um grande negociador, o homem que não tinha lido um único livro na vida, mas que seria dono de uma “sabedoria suprema” e de uma “mente criativa”… O Haaretz não tinha percebido que a estupidez dita por Lula sobre a ditadura cubana e suas vítimas já tinha calcinado a imagem do “grande líder” da América Latina. O jornal percebe agora com quem estava lidando.
O brasileiro chegou neste domingo a Israel e já provocou o primeiro incidente diplomático — na verdade, uma grosseria inaceitável: nega-se a depositar flores no túmulo de Theodor Herzl, fundador do Movimento Sionista e considerado pelos israelenses o idealizador do moderno estado judeu.


A cerimônia está prevista para terça-feira. Lula ainda tem como evitar a ofensa e a provocação. A simples menção de não participar da solenidade já foi agravo suficiente. Mas podemos e devemos esperar qualquer coisa do Itamaraty — especialmente o pior.


É claro que Lula não tem a menor idéia de quem foi Herzl. Sabe o que Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia lhe sopram aos ouvidos. E ambos devem ter dito cobras e lagartos do sionismo, equiparando-o ao racismo etc. Pintaram Herzl como o responsável original pelos atuais conflitos no Oriente Médio. E recomendaram: “Não vá à cerimônia”.


E Lula achou uma boa idéia. Não obstante, na terça, em Ramallah, na Cisjordânia, ele pretende depositar flores no túmulo de Yasser Arafat. Goste-se ou não das idéias de Herzl, era um jornalista e um intelectual. Não tinha as mãos sujas de sangue. Arafat explodiu muitas crianças em ônibus escolares.


O mais espantoso nessa decisão é que Lula chega a Israel dizendo-se o portador de uma nova mensagem: a da conciliação — como se outros não a tivessem tentado antes, mas vá lá… Que conciliador é este que já chega insultando aquele que é, na prática, o principal herói nacional moderno?


A coisa é séria, é grave: na condição auto-outorgada de juiz simbólico dos conflitos no Oriente Médio, o presidente brasileiro deslegitima uma causa e uma visão de mundo sem as quais Israel não existiria. Feita essa escolha, já não pode mais se apresentar como o homem do diálogo. A ser mantida a decisão, Lula se tornará uma espécie de ídolo do anti-semitismo mundial. Daqui a pouco, como sabemos, ele vai ao Irã emprestar seu apoio e sua solidariedade a Mahmoud Ahmadinejad. E seu perfil estará ainda mais definido diante do mundo. Aquela reportagem tonta do Haaretz dizia que Lula sabia como ser amigo do Irã e de Israel. As amizades de Lula estão começando a ficar bem claras.


Algo estranho acontece

Anotem aí: algo estranho está em curso. Tenho a impressão de que andaram soprando feitiçarias aos ouvidos de Lula. Há quem diga que ele poderia até ser um candidato a secretário-geral da ONU. Pré-Cuba e, a se manter a decisão, pré-Israel, era uma idéia um tanto megalômana, mas não absurda. Agora, Lula ficou do tamanho de suas escolhas. Quem, com um mínimo de responsabilidade, confiaria nele?


Não sei, não… Seus feiticeiros podem andar com idéias esquisitas. Na solenidade de fundação da tal comunidade de países da América Latina e do Caribe, Lula já desceu o sarrafo nas Nações Unidas. Uma “OEA do B”, sem EUA e Canadá, parece pouco para suas ambições. Talvez esteja sonhando é com uma “ONU do B”, um Foro de São Paulo de alcance planetário, fazendo-se porta-voz de países e movimentos que decidiram resistir aos EUA e à Europa Ocidental.


Só uma ambição destrambelhada como essa explica a sucessão de absurdos a que Lula se dedica. Lembrem-se de que ele não compareceu à posse do “direitista” Sebastián Piñera no Chile. Lula justifica a sua posição pusilânime sobre Cuba afirmando que não quer se imiscuir nos assuntos internos do país. Sua recusa em participar da solenidade no túmulo de Herzl, se mantida, é muito mais do que uma “interferência no assunto interno de um país”. Trata-se de uma ofensa a um povo, não a um governo.

Agora o mundo já sabe. Esse é o “estadista global” de Davos.

Autor/blog: Reinaldo Azevedo
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