privatizações

>A favor das privatizações

Posted on outubro 21, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Dilma Rousseff, Embraer, José Serra, Plano Real, privatizações, PSDB, Telebrás, telefonia, Vale do Rio Doce |

>Por Alfredo da Mota Menezes*

Dilma Rousseff usa a privatização de estatais como arma de acusação ao candidato do PSDB. O José Serra poderia pedir a Dilma que se comprometa perante o povo brasileiro que, se eleita, estatizaria outra vez a telefonia no país. Nem que a vaca tussa ela faria isso.
Será que foi uma coisa maléfica as privatizações? Coloco alguns números que roubo de uma revista de circulação nacional sobre o assunto.
Quando a Telebrás foi privatizada, ali por 1999, o Brasil tinha 22 milhões de linhas telefônicas fixas. Hoje possui 60 milhões, aumento de 172% em algo como dez anos. Telefone, gente, era deixado em herança para os filhos. No momento da privatização, no Brasil havia 7,3 milhões de celulares, hoje tem 190 milhões ou aumento de 2.478%. Uma linha custava cerca de nove mil reais e levava três anos para ser instalada. Hoje custa 115 reais e sete dias para a instalação. O setor dá emprego agora a mais de 400 mil pessoas no Brasil.
Reclamam demais da privatização da Vale do Rio Doce. Vejam os números de antes e de agora. Em 1997 o valor de mercado dela era de oito bilhões de reais. Hoje é de 272 bilhões, aumento de 3.265%. O lucro líquido dela naquele ano foi de 756 milhões, hoje é de 10 bilhões. O mais importante: possuía 11 mil funcionários, hoje tem 40 mil, aumentou 264%.
A Embraer vendeu em 1997 quatro aviões, em 2010 vendeu 227, aumento de 5.575%. Possuía seis mil funcionários, hoje 17 mil, aumento de 179%. Além disso, as empresas privatizadas pagam muito mais impostos que antes.
As privatizações arrecadaram 106 bilhões de dólares. Sem esse dinheiro não se teria a redução da dívida pública e nem o equilíbrio fiscal. O Plano Real, que controlou a inflação e ajudou a vida de milhões de brasileiros, seria também afetado. Alguém é contra isso? O PSDB fala nisso nos debates ou no horário gratuito?
O mundo comunista inteiro vendeu as estatais. A China hoje faz a mesma coisa e não demora Cuba fará também. A América Latina toda vendeu suas estatais. No Brasil a coisa é usada como se fosse um belzebu.
Alguém em MT quer de volta a velha Cemat? Aquela que a Secretaria de Fazenda tinha que ajudar no fim do mês a pagar suas contas? Aquela que qualquer dinheiro que caía nas contas era tomado pela Justiça Trabalhista?
Alguém quer de volta o Bemat? Aquele que tinha nomeações políticas para gerir dinheiro num mundo capitalista? Aquele que emprestava dinheiro aos amigos do rei sem quase nenhuma garantia?
Perguntem ao Blairo, Silval e Pagot, que coordenam a campanha da Dilma em MT, se eles são contra as privatizações.
Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
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>Eleições 2010: O fim de um tabu

Posted on outubro 8, 2010. Filed under: Aécio Neves, eleições 2010, José Serra, Marina Silva, Marketing, O fim de um tabu, presidente Lula, privatizações, propaganda eleitoral, PSDB, rádio, segundo turno, tabu, televisão |

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A partir de hoje, quando recomeça a propaganda eleitoral na televisão e no rádio, se saberá de que forma e com que intensidade a campanha do tucano José Serra assumirá o legado do governo Fernando Henrique, aceitando enfim, à sua maneira, o desafio da candidata Dilma Rousseff e do seu mentor, o presidente Lula, de confrontar o atual período com o que o antecedeu.
Foi o que os seus principais aliados – a começar do ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves – defenderam enfaticamente no encontro que marcou a largada para o segundo turno, anteontem em Brasília, com a presença dos governadores e parlamentares eleitos pela coligação oposicionista. Na primeira fase da disputa, pôde-se contar nos dedos de uma mão quantas vezes Serra mencionou o ex-presidente. O seu nome e o termo privatizações eram considerados venenosos. O candidato acusava a rival de ter “duas caras”. Ele próprio, porém, tinha uma cara ao sol e outra à sombra.
O mantra de Serra era discutir quem tinha de fato visão, experiência e capacidade para “fazer mais” no pós-Lula. Não funcionou. Se dependesse exclusivamente disso, Dilma seria a esta altura a presidente eleita do Brasil, graças ao seu patrono. Os resultados do 3 de outubro representaram para o tucano, mais do que uma derrota eleitoral, uma derrota política. Ou seja, como diria Marina Silva, “perdeu perdendo”. É verdade que também Dilma saiu derrotada politicamente, por ter embarcado na canoa da invencibilidade que o seu chefe conduzia.
Salvo na 25.ª hora por mudanças para as quais não contribuiu – a migração de votos dilmistas para Marina Silva e a preferência pela candidata verde de muitos dos até então indecisos -, Serra acabou premiado com a chance de, na pior das hipóteses, perder ganhando no tira-teima do dia 31. Até hoje, nenhum candidato a presidente e raros candidatos a governador conseguiram virar o jogo no segundo turno. Ainda que o retrospecto se confirme, a oposição pelo menos sairá da peleja com a coluna vertebral no lugar se fizer com que a coerência prevaleça sobre a conveniência.
Se não exatamente com essas palavras, foi seguramente com esse espírito de catar o touro à unha que os serristas partiram para a nova empreitada. “Seja mais Serra do que marketing”, exortou, sob intensos aplausos, o ex-presidente e senador eleito, Itamar Franco. Trata-se de adaptar a estratégia de comunicação ao foco político da campanha – e não o contrário. E esse foco só se firmará se o candidato se dispuser a ir além da rememoração das realizações de sua trajetória para encaixá-las na moldura da ideologia que as inspirou – e que chegou ao poder com Fernando Henrique. “Não precisa esconder ninguém”, aconselhou Itamar.
“Devemos defender isso com altivez e iniciar o segundo turno falando dele”, apontou por sua vez Aécio Neves, credenciado por seu sucesso nas eleições mineiras a ocupar um lugar central na campanha pelo Planalto. O ex-governador mostrou, ele próprio, o que isso significa – e o que Serra não disse no horário eleitoral. “Não teria havido o governo Lula se não tivesse havido o governo Itamar, com a coragem política de lançar o real, e se não tivesse havido o governo FHC, que consolidou e abriu a economia”, começou, antes de encarar a questão até aqui tabu.
“Se querem condenar as privatizações, estão dizendo a cada cidadão brasileiro que pegue o celular no seu bolso, na sua bolsa e jogue na lata de lixo mais próxima”, provocou. “Foi a privatização do setor que permitiu a universalização de acesso da população, por exemplo, à telefonia celular.” Abertas as comportas, Serra lembrou que “o governo Lula continuou a privatizar”, citando os casos do Banco do Estado do Maranhão e do Banco do Estado do Ceará, no primeiro mandato. “Se privatizou, não era tão contra.”
Ao devolver a bola para o campo do adversário, o PSDB finalmente virou a página da equivocada conduta no segundo turno de 2006, quando o então candidato Geraldo Alckmin ficou na defensiva diante da propaganda lulista que o acusava de desejar a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil. Nesse sentido, o segundo turno de agora é, sim, uma nova eleição.
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