propaganda eleitoral

>Eleições 2010: O fim de um tabu

Posted on outubro 8, 2010. Filed under: Aécio Neves, eleições 2010, José Serra, Marina Silva, Marketing, O fim de um tabu, presidente Lula, privatizações, propaganda eleitoral, PSDB, rádio, segundo turno, tabu, televisão |

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A partir de hoje, quando recomeça a propaganda eleitoral na televisão e no rádio, se saberá de que forma e com que intensidade a campanha do tucano José Serra assumirá o legado do governo Fernando Henrique, aceitando enfim, à sua maneira, o desafio da candidata Dilma Rousseff e do seu mentor, o presidente Lula, de confrontar o atual período com o que o antecedeu.
Foi o que os seus principais aliados – a começar do ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves – defenderam enfaticamente no encontro que marcou a largada para o segundo turno, anteontem em Brasília, com a presença dos governadores e parlamentares eleitos pela coligação oposicionista. Na primeira fase da disputa, pôde-se contar nos dedos de uma mão quantas vezes Serra mencionou o ex-presidente. O seu nome e o termo privatizações eram considerados venenosos. O candidato acusava a rival de ter “duas caras”. Ele próprio, porém, tinha uma cara ao sol e outra à sombra.
O mantra de Serra era discutir quem tinha de fato visão, experiência e capacidade para “fazer mais” no pós-Lula. Não funcionou. Se dependesse exclusivamente disso, Dilma seria a esta altura a presidente eleita do Brasil, graças ao seu patrono. Os resultados do 3 de outubro representaram para o tucano, mais do que uma derrota eleitoral, uma derrota política. Ou seja, como diria Marina Silva, “perdeu perdendo”. É verdade que também Dilma saiu derrotada politicamente, por ter embarcado na canoa da invencibilidade que o seu chefe conduzia.
Salvo na 25.ª hora por mudanças para as quais não contribuiu – a migração de votos dilmistas para Marina Silva e a preferência pela candidata verde de muitos dos até então indecisos -, Serra acabou premiado com a chance de, na pior das hipóteses, perder ganhando no tira-teima do dia 31. Até hoje, nenhum candidato a presidente e raros candidatos a governador conseguiram virar o jogo no segundo turno. Ainda que o retrospecto se confirme, a oposição pelo menos sairá da peleja com a coluna vertebral no lugar se fizer com que a coerência prevaleça sobre a conveniência.
Se não exatamente com essas palavras, foi seguramente com esse espírito de catar o touro à unha que os serristas partiram para a nova empreitada. “Seja mais Serra do que marketing”, exortou, sob intensos aplausos, o ex-presidente e senador eleito, Itamar Franco. Trata-se de adaptar a estratégia de comunicação ao foco político da campanha – e não o contrário. E esse foco só se firmará se o candidato se dispuser a ir além da rememoração das realizações de sua trajetória para encaixá-las na moldura da ideologia que as inspirou – e que chegou ao poder com Fernando Henrique. “Não precisa esconder ninguém”, aconselhou Itamar.
“Devemos defender isso com altivez e iniciar o segundo turno falando dele”, apontou por sua vez Aécio Neves, credenciado por seu sucesso nas eleições mineiras a ocupar um lugar central na campanha pelo Planalto. O ex-governador mostrou, ele próprio, o que isso significa – e o que Serra não disse no horário eleitoral. “Não teria havido o governo Lula se não tivesse havido o governo Itamar, com a coragem política de lançar o real, e se não tivesse havido o governo FHC, que consolidou e abriu a economia”, começou, antes de encarar a questão até aqui tabu.
“Se querem condenar as privatizações, estão dizendo a cada cidadão brasileiro que pegue o celular no seu bolso, na sua bolsa e jogue na lata de lixo mais próxima”, provocou. “Foi a privatização do setor que permitiu a universalização de acesso da população, por exemplo, à telefonia celular.” Abertas as comportas, Serra lembrou que “o governo Lula continuou a privatizar”, citando os casos do Banco do Estado do Maranhão e do Banco do Estado do Ceará, no primeiro mandato. “Se privatizou, não era tão contra.”
Ao devolver a bola para o campo do adversário, o PSDB finalmente virou a página da equivocada conduta no segundo turno de 2006, quando o então candidato Geraldo Alckmin ficou na defensiva diante da propaganda lulista que o acusava de desejar a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil. Nesse sentido, o segundo turno de agora é, sim, uma nova eleição.
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>Até onde vai a paciência nacional

Posted on agosto 22, 2010. Filed under: Assembléias Legislativas, Carlos Chagas, Câmara, Dilma Rousseff, governo Fernando Henrique, José Serra, paciência, presidente Lula, propaganda eleitoral, rádio, Senado, televisão |

>Por Carlos Chagas

Ainda estamos na primeira semana da propaganda eleitoral pelo rádio e a televisão e já tem gente dizendo que não agüenta mais. Menos pela pregação dos candidatos à presidência da República, mais pelo monte de pretendentes às Assembléias Legislativas, à Câmara e ao Senado. 
Os candidatos a governador ficam em cima do muro, uns aceitáveis, outros nem tanto. Fica difícil imaginar como a paciência de todos nós suportará esse suplício até 30 de setembro.
Porque os candidatos a deputado e senador, com as exceções de sempre, tem sido lamentáveis. Dispondo de pouquíssimos segundos para apresentar-se, tentam resumir suas candidaturas em pequenas frases de efeito que, além de nada exprimirem, na maior parte das vezes são mentiras.
Dificilmente algum desses candidatos conseguirá votos por conta de sua aparição na televisão. Nem de suas vozes, no rádio. A imensa maioria do eleitorado escolherá seus deputados e senadores por outros motivos, como tendo acompanhado suas carreiras, conhecido suas promessas ou estarem ligados a eles por simpatia, amizade ou parentesco. 
Também por dinheiro, em alguns casos.
Com a mesma ressalva das exceções, imagine-se que tipo de Congresso vamos ter a partir do ano que vem. Como dizia o dr. Ulysses, pior do que o atual Congresso, só o próximo.

PRESSÕES SOBRE JOSÉ SERRA

O Grão-Tucanato resolveu dar uma prensa em José Serra. Por conta da inferioridade nas pesquisas, dirigentes do PSDB querem mudar o perfil do candidato. Exigem que ele seja mais agressivo diante de Dilma Rousseff, mais violento ao referir-se ao governo e ao presidente Lula e mais laudatório para com o governo Fernando Henrique.
Ainda que no último debate, da Folha-Uol, Serra tenha arremessado mais farpas na candidata do PT, nada indica que ele se curvará à exigência dos tucanos mais emplumados. Quando as pessoas tentam ser o que não são, geralmente quebram a cara, como ainda há pouco aconteceu com o Dunga. Serra tem características própria, como a da cara fechada, do riso difícil, da meditação antes de dar respostas improvisadas e da tendência de não transformar adversários em inimigos. Se vier a dar a volta por cima nas pesquisas, o que parece difícil, terá sido pelo seu modo de ser. Jamais por ter vestido a fantasia de homem das cavernas. Nem no discurso do célebre comício do dia 13 de março de 1964, que o levou para um prolongado exílio, nem naquele discurso Serra passou dos limites ou fez ameaças, como fizeram João Goulart, Leonel Brizola, Miguel Arraes e outros. Não seria agora que mudaria, para a vitória ou a derrota.

EUFORIA DEMAIS FAZ MAL

Dilma Rousseff mantém-se atenta e não permite que em volta dela já se comece a cantar o “já ganhou”. Até recomenda que seus companheiros mais açodados deixem o salto alto e continuem a trabalhar como se a eleição só fosse ser resolvida no dia 3 de outubro, nunca antes.
O diabo é que na alta cúpula do PT sopram ventos de euforia demasiada, de certeza de já estar a candidata eleita. Por conta disso surgem os bicões de sempre, aqueles que já pensam na formação do ministério Dilma e lançam-se em disputas privadas que só fazem tumultuar o clima da campanha. Começa que nem com o Lula, Dilma discutiu quem deve ou não deve integrar o seu governo. Primeiro, é preciso ganhar a eleição. Seria bom, para ela, se alguns companheiros parassem de contar com a sorte grande antes de a loteria ter corrido.

TESTE PARA OS PRESIDENCIÁVEIS

O Clube Militar, no Clube Naval e o Clube da Aeronáutica formalizaram convites aos principais candidatos presidenciais para, num mesmo dia, talvez esta semana, comparecerem para um debate com seus associados. As datas estão sendo arranjadas, parecendo impossível que Dilma, Serra, Marina e Plínio deixem de estar presentes.
Se os quatro candidatos formaram na primeira linha de resistência ao regime militar, com uma presa e dois exilados, também é verdade que os chefes e a oficialidade de hoje nada tiveram a ver com os desmandos daquela época. Por coerência, eles mantém respeito ao passado, ainda que jamais concordância com tudo o que aconteceu.
Não irão provocar os candidatos, como esperam, no reverso da medalha, não ser provocados. A reunião dos presidenciáveis com os militares tem tudo para se constituir num ponto alto da campanha. Vamos aguardar, torcendo. Fonte: Artigos CH
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>Eleições 2010: Procuradoria avalia que cartas de Silval Barbosa são "propaganda eleitoral completa"

Posted on fevereiro 5, 2010. Filed under: cartas do Silval Barbosa, eleições 2010, eleitorado, Ministério Público Federal, PMDB, propaganda eleitoral, Silval Barbosa, TRE |

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O envio de cartas a eleitores e crianças de Mato Grosso pelo vice-governador Silval Barbosa (PMDB), pré-candidato ao governo do Estado, concentra todos os elementos de “uma propaganda eleitoral completa”.


A afirmação é do Ministério Público Federal, em trecho de representação encaminhada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Mato Grosso por propaganda eleitoral extemporânea.


As cartas, personalizadas com o auxílio de dados específicos dos destinatários (nome, idade, opção religiosa), vêm sendo distribuídas desde o final do ano passado, como a Folha revelou na edição de ontem.


A reportagem teve acesso a cartas encaminhadas a duas crianças, de 5 e 6 anos. “Diga pra mamãe que o Silval Barbosa é legal. Não vou nunca lhe decepcionar”, diz uma delas.


Nas cartas endereçadas a adultos, a conotação eleitoral é mais explícita. “Refleti muito quando o partido me convidou para ser seu pré-candidato a governador […]. Aceitei a missão”, afirma, em outra carta.


Segundo o procurador da República Thiago Lemos de Andrade, as cartas têm a “evidente e cristalina” intenção de “angariar a simpatia e o apoio do eleitorado, exibindo supostas qualidades que fariam dele a melhor opção de voto”.


“Silval Barbosa utiliza-se de cartas para fazer uma propaganda eleitoral completa, isto é, composta de todos os elementos que caracterizam esse tipo de propaganda”, afirmou o procurador na representação.


Estes elementos seriam, segundo a Procuradoria, as referências à eleição futura, a exposição “de suas pretensas qualidades, méritos e vantagens” e o pedido de voto.


Silval negou, por meio de sua assessoria, que tenha “qualquer interesse eleitoral” na medida –que qualificou como uma forma de “contato mais próximo” com a população.


A representação da Procuradoria, ainda não analisada, pede a suspensão imediata da distribuição das cartas e a imposição de multa ao vice. Fonte: Folha de S. Paulo

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>A salvo da lei

Posted on janeiro 25, 2010. Filed under: Casa Civil, cerimônia, Dilma Rousseff, lideranças mundiais, Michel Temer, propaganda eleitoral, Twitter |

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“O presidente Lula é hoje uma das maiores lideranças mundiais, para não dizer a maior. E vamos fazer mais”. (Dilma)

No último sábado, no interior de São Paulo, durante cerimônia pública de autorização de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os olhinhos da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, brilharam quando Michel Temer (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados, disse que ela está habilitada a “levar os brasileiros para o paraíso”.


Dilma comentou na hora: “Acho que qualquer pessoa, principalmente alguém que integra o governo Lula, pode ser escolhido. Mas concordo em gênero e número com o deputado Michel Temer, e gostaria muito de levar os brasileiros ao paraíso. Acho uma das maiores e melhores ambições que alguém pode ter”.


Se lhe parece que Dilma se referiu à sua própria candidatura, então saiba que ela transgrediu a lei. No exercício de cargo público, durante cerimônia custeada com dinheiro público, Dilma fez propaganda indireta de sua ambição. A lei estabelece o dia 5 de julho como o do início oficial da propaganda eleitoral. Sinto muito, gente, é a lei.


Pois o que vale para Deda Amorim deveria valer para Dilma e todo mundo. Ex-prefeito de Rodrigues Alves, no Acre, Deda foi condenado na semana passada pelo Tribunal Regional Eleitoral a pagar multa de R$ 5 mil por ter feito propaganda antes da hora. Deda valeu-se do seu twitter para dizer que será candidato a deputado. Apenas isso.


Também na semana passada, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia condenou o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, e o PMDB a pagarem uma multa de R$ 25 mil pelo mesmo crime cometido por Deda. Um jornal do partido defendera a candidatura de Geddel ao governo da Bahia. Foi o que bastou.


Pelo rigor, tornou-se célebre uma decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho de 2005. Por quatro votos contra três, o TSE cassou os mandatos de Idomar Antônio Aquilla e Paulo Cláudio Dolovitsch, respectivamente prefeito e vice-prefeito do município gaúcho de Ajuricaba, reeleitos um ano antes. Por quê?


Ora… Um funcionário da prefeitura, representando os dois, compareceu a reuniões para o sorteio do horário de propaganda eleitoral no rádio. O mesmo funcionário foi flagrado depois checando o resultado da apuração dos votos. E ficou comprovado o uso do fax da prefeitura para o repasse a um juiz de números de uma pesquisa de intenção de voto.


Um dia antes de Dilma admitir que “gostaria muito de levar os brasileiros ao paraíso”, Lula inaugurou a nova sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo. E ali, ao lado de Dilma, fez o que mais tem feito com indisfarçável prazer desde o início do ano passado – agrediu a lei eleitoral.


“Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito e quem vier depois de mim, eu por questões legais não posso dizer quem é, espero que vocês adivinhem, vai encontrar um programa pronto, com dinheiro no Orçamento”, afirmou Lula. Que não satisfeito em desprezar a lei, agora debocha, escarnece dela. E por tabela, dos que deveriam aplicá-la.


Em maio do ano passado, em visita ao Complexo do Alemão, Lula ouviu a platéia ensaiada gritar o nome de Dilma para presidente. Respondeu com o cinismo habitual: “O Lula não falou em campanha. Vocês é que se meteram a cantar, a gritar o nome aí… Espero que a profecia que diz que a voz do povo é a voz de Deus esteja correta”.


Há pouco, em visita a Minas Gerais, Lula repetiu o mesmo truque: “Vocês ficam gritando o nome da Dilma. Se a Justiça achar que isto aqui é propaganda, cada um de vocês vai ser responsável por colocar um advogado para defendê-la, porque ela só pode falar em política depois do dia 3 de abril quando deixar o governo”.


A Justiça Eleitoral engole tudo calada porque lhe falta coragem para enquadrar um presidente com 80% de aprovação popular. De resto, há ministros que não disfarçam sua torcida pela eleição de Dilma. Um deles deve sua indicação para o cargo não a Lula – mas a dona Marisa.

Autor: Ricardo Noblat – e-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br

BLOG DO NOBLAT: http://www.oglobo.com.br/noblat

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