propina

>Denúncia na Polícia Federal expõe esquema de propina de 20% do deputado Wellington Fagundes e prefeito de Barra do Garças

Posted on novembro 25, 2010. Filed under: propina |

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Os pecuaristas e políticos Wellington Fagundes e Wanderlei Farias, fissurados por obras de infraestrutura, começam a ver ruir um suposto esquema com empreiteiras que envolveria negociação de propina e fraudes na execução de projetos de asfaltamento. Ambos são velhos amigos e parceiros na vida pública há mais de uma década e agora estão sob investigação da Polícia Federal. Quem abriu o jogo, após aceitar delação premiada e, assim, poder contribuir com informações e usufruir de benefício da pena ou até ser inocentado em processo, foi um contador de uma das empresas suspeitas de envolvimento numa quadrilha que desviava verbas públicas na região do Araguaia.
Deputado Federal Wellington Fagundes
Segundo depoimento registrado pelo delegado federal Tomás Vianna, Wellington e Wanderlei recebiam 20% de propina de cada contrato. 
O esquema seria feito com a Assessoria e Construções Ltda (Assecon), do empreiteiro Antonio Jaconini, um dos 26 que foram presos e libertados quatro dias depois da operação Atlântida. Jaconini mantém laços de amizade com os dois. À PF, o contador revelou que Wellington exerce forte influência nas prefeituras, principalmente na de Barra do Garças, sob Wanderlei. Quem opera o esquema seria a Assecon cujo proprietário Jaconini era acostumado a viajar para Brasília constantemente com propósito de manobrar licitações. Nesse caso, Wellington entraria como articulador para liberar recursos e, em moeda de troca, embolsaria 20% do montante.
A amizade e parceria de Wellington e Wanderlei são antigas. Hoje eles estão no PR, mas atuaram juntos desde quando o deputado era do PL, que se fundiu com o Prona para surgimento do Partido da República, e o prefeito militava no velho PFL (hoje DEM) e depois no PSDB. Neste pleito, por exemplo, o deputado foi reeleito para o sexto mandato como o mais votado dos 8 da bancada, com 145.460 votos. Montou grande estrutura de campanha. Em Barra do Garças, onde Wanderlei “manda” e é considerado coronel político, Wellington, com a força da máquina municipal e de um veículo de comunicação de sua propriedade, “arrancou” a maior votação (6.662), superando o empresário da região Eduardo Moura, (PPS), que teve 6.578.
O escândalo deixa arranhada a imagem dos dois. São políticos que ficaram milionários e vivem sob questionamentos por causa do acúmulo de bens. Wellington está deputado há 16 anos. Nesse intervalo, tentou a cadeira de prefeito de Rondonópolis, onde reside, e foi derrotado. Depois, lançou o filho João Antonio como vice do então prefeito Adilton Sachetti e também assistiu a derrota da chapa nas urnas. Wanderlei exerce o terceiro mandato como prefeito da cidade-pólo do Araguaia. Ele se gaba de ser o gestor que mais construiu asfalto no município. Wellington, presidente regional do PR, se vangloria de ter conseguido muitos recursos para os municípios. E, assim, ambos seguem parceiros no público e no privado.
Fonte: RDNews
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>Polícia prende homem com R$ 104 mil, supostamente destinada a secretário de Justiça do DF

Posted on março 20, 2010. Filed under: DF, Distrito Federal, Operação Caixa, Pandora, Polícia Civil, propina, telefonema anônimo |

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Foto A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu em flagrante um homem que tinha em seu poder a importância de R$ 104 mil, e esse dinheiro seria destinado a Flávio Lemos, secretário de Cidadania e Justiça do governo do Distrito Federal.  O caso vinha sendo mantido sob sigilo. O homem que foi preso, Identificado por Gilson, é funcionário de uma empresa que presta serviços ao Ciago (Centro de Internação de Adolescentes Granja das Oliveiras), órgão ligado à Secretaria de Justiça e Cidadania. Essa empresa, cujo nome ainda não foi divulgado, pagaria propina mensal de R$ 150 mil, segundo os investigadores apuraram preliminarmente. 
 
 
 
 
 
Foi uma ação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do DF, após receber telefonema anônimo indicando a hora e o carro utilizado pelo suspeito para chegar ao “Buritinga”, sede provisória do governo do DF, localizada em Taguatinga. De fato, utilizando o carro indicado e na hora prevista, o suspeito parou no estacionamento e, ao revistar o veículo, os policiais localizaram a quantia em dinheiro no local em que havia sido escondido, exatamente como descrevera o informante anônimo. 
 
 
 
O telefonema informou também que o secretário Flávio Lemos seria o destinatário do dinheiro. Ele negou a acusação, em conversa com o governador interino Wilson Lima, mas ainda assim será exonerado do cargo na próxima segunda-feira. O homem detido prestou depoimento à Divisão de Combate ao Crime Organizado e depois foi liderado, mas o dinheiro permaneceu apreendido. Lemos é considerado “cria” política do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e foi nomeado para o cargo atual após o pedido de demissão do deputado distrital Alírio Neto (PPS) logo após estourar o escândalo da Operação Caixa de Pandora. Fonte: CH
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>O pedágio do PT

Posted on março 13, 2010. Filed under: Bancoop, dinheiro, João Vaccari Neto, mensalão, pedágio do PT, propina, tesoureiro |

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 O Bom Dia Mato Grosso publica abaixo, na íntegra, matéria de capa da Revista Veja, disponível a todos no seu site, por consider assunto relevante.

Além de desviar dinheiro da Bancoop, o tesoureiro do partido
arrecadava dinheiro para o caixa do mensalão cobrando propina


Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy
Fotos Wladimir de Souza/Diário de São Paulo e Sérgio Lima/Folha Imagem
O ELO PERDIDO DO MENSALÃO
O corretor de câmbio Lúcio Funaro prestou seis depoimentos sigilosos à Procuradoria-Geral da República, nos quais narrou como funcionava a arrecadação de propina petista nos fundos de pensão: “Ele (João Vaccari, á esq.) cobra 12% de comissão para o partido”
O novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é uma peça mais fundamental do que parece nos esquemas de arrecadação financeira do partido. Investigado pelo promotor José Carlos Blat por suspeita de estelionato, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no caso dos desvios da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), Vaccari é também personagem, ainda oculto, do maior e mais escandaloso caso de corrupção da história recente do Brasil: o mensalão – o milionário esquema de desvio de dinheiro público usado para abastecer campanhas eleitorais do PT e corromper parlamentares no Congresso. O mensalão produziu quarenta réus ora em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles não está Vaccari. Ele parecia bagrinho no esquema. Pelo que se descobriu agora, é um peixão. Em 2003, enquanto cuidava das finanças da Bancoop, João Vaccari acumulava a função de administrador informal da relação entre o PT e os fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras. Ele tocava o negócio de uma maneira bem peculiar: cobrando propina. Propina que podia ser de 6%, de 10% ou até de 15%, dependendo do cliente e do tamanho do negócio. Uma investigação sigilosa da Procuradoria-Geral da República revela, porém, que 12% era o número mágico para o tesoureiro – o porcentual do pedágio que ele fixava como comissão para quem estivesse interessado em se associar ao partido para saquear os cofres públicos.
Fotos Celso Junior/AE e Eliária Andrade/Ag. O Globo
“Ele (Vaccari) chamava o Delúbio de ‘professor’. É homem do Zé Dirceu. Faz as operações com fundos grandes – Previ, Funcef, Petros…”
Corretor Lúcio Funaro, em depoimento ao MP 
CAPO
José Dirceu tinha Delúbio Soares (à esq.) e Vaccari como arrecadadores para o mensalão. O tesoureiro atual do PT cuidava dos fundos de pensão
A revelação do elo de João Vaccari com o escândalo que produziu um terremoto no governo federal está em uma série de depoimentos prestados pelo corretor Lúcio Bolonha Funaro, considerado um dos maiores especialistas em cometer fraudes financeiras do país. Em 2005, na iminência de ser denunciado como um dos réus do processo do mensalão, Funaro fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Em troca de perdão judicial para seus crimes, o corretor entregou aos investigadores nomes, valores, datas e documentos bancários que incriminam, em especial, o deputado paulista Valdemar Costa Neto, do PR, réu no STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em um dos depoimentos, ao qual VEJA teve acesso, Lúcio Funaro também forneceu detalhes inéditos e devastadores da maneira como os petistas canalizavam dinheiro para o caixa clandestino do PT. Apresentou, inclusive, o nome do que pode vir a ser o 41º réu do processo que apura o mensalão – o tesoureiro João Vaccari Neto. “Ele (Vaccari) cobra 12% de comissão para o partido”, disse o corretor em um relato gravado pelos procuradores. Em cinco depoimentos ao Ministério Público Federal que se seguiram, Funaro forneceu outras informações comprometedoras sobre o trabalho do tesoureiro encarregado de cuidar das finanças do PT:
Divulgação
“Rural, BMG, Santos… Tirando os bancos grandes, quase todos têm negócio com eles.”
Corretor Lúcio Funaro, em depoimento ao MP 
• Entre 2003 e 2004, no auge do mensalão, João Vaccari Neto era o responsável pelo recolhimento de propina entre interessados em fazer negócios com os fundos de pensão de empresas estatais no mercado financeiro.
• O tesoureiro concentrava suas ações e direcionava os investimentos de cinco fundos – Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica), Nucleos (Nuclebrás), Petros (Petrobras) e Eletros (Eletrobrás) -, cujos patrimônios, somados, chegam a 190 bilhões de reais.
• A propina que ele cobrava variava entre 6% e 15%, dependendo do tipo de investimento, do valor do negócio e do prazo.
• O dinheiro da propina era carreado para o caixa clandestino do PT, usado para financiar as campanhas do partido e subornar parlamentares.
• João Vaccari agia em parceria com o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares e sob o comando do ex-ministro José Dirceu, réu no STF sob a acusação de chefiar o bando dos quarenta.
Fotos Lula Marques/Folha Imagem e Celso Junior/AE
O PATROCINADOR
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, indicou Vaccari para tesoureiro do partido na campanha presidencial da ministra Dilma Rousseff, embora dirigentes da sigla tenham tentado vetar o nome do sindicalista, por ele ter “telhado de vidro”
Lúcio Funaro contou aos investigadores o que viu, ouviu e como participou. Os destinos de ambos, Funaro e Vaccari, se cruzaram nas trilhas subterrâneas do mensalão. Eram os últimos meses de 2004, tempos prósperos para as negociatas da turma petista liderada por José Dirceu e Delúbio Soares. As agências de publicidade de Marcos Valério, o outro ponta de lança do esquema, recebiam milhões de estatais e ministérios – e o BMG e o Rural, os bancos que financiavam a compra do Congresso, faturavam fortunas com os fundos de pensão controlados por tarefeiros do PT. Naquele momento, Funaro mantinha uma relação lucrativa com Valdemar Costa Neto. Na campanha de 2002, o corretor emprestara ao deputado 3 milhões de reais, em dinheiro vivo. Pela lógica que preside o sistema político brasileiro, Valdemar passou a dever-lhe 3 milhões de favores. O deputado, segundo o relato do corretor, foi cobrar esses favores do PT. É a partir daí que começa a funcionar a engrenagem clandestina de fabricação de dinheiro. O deputado detinha os contatos políticos; o corretor, a tecnologia financeira para viabilizar grandes negociatas. Combinação perfeita, mas que, para funcionar, carecia de um sinal verde de quem tinha o comando da máquina. Valdemar procurou, então, Delúbio Soares, lembrou-lhe a ajuda que ele dera à campanha de Lula e pediu, digamos, oportunidades. De acordo com o relato do corretor, Delúbio indicou João Vaccari para abrir-lhe algumas portas.
Para marcar a primeira conversa com Vaccari, Funaro ligou para o celular do sindicalista. O encontro, com a presença do deputado Costa Neto, deu-se na sede da Bancoop em São Paulo, na Rua Líbero Badaró. Na conversa, Vaccari contou que cabia a ele intermediar operações junto aos maiores fundos de pensão – desde que o interessado pagasse um “porcentual para o partido (PT)”, taxa que variava entre 6% e 15%, dependendo do tipo de negócio, dos valores envolvidos e do prazo. E foi didático: Funaro e Valdemar deveriam conseguir um parceiro e uma proposta de investimento. Em seguida, ele se encarregaria de determinar qual fundo de pensão se encaixaria na operação desejada. O tesoureiro adiantou que seria mais fácil obter negociatas na Petros ou na Funcef. Referindo-se a Delúbio sempre como “professor”, Vaccari explicou que o PT havia dividido o comando das operações dos fundos de pensão. O petista Marcelo Sereno, à época assessor da Presidência da República, cuidava dos fundos pequenos. Ele, Vaccari, cuidava dos grandes. O porcentual cobrado pelo partido, entre 6% e 15%, variava de acordo com o tipo do negócio. Para investimentos em títulos de bancos, os chamados CDBs, nicho em que o corretor estava interessado, a “comissão” seria de 12%. Funaro registrou a proposta na memória, despediu-se de Vaccari e foi embora acompanhado de Costa Neto.
Donos de uma fortuna equivalente à dos Emirados Árabes, os fundos de pensão de estatais são alvo da cobiça dos políticos desonestos graças à facilidade com que operadores astutos, como Funaro, conseguem desviar grandes somas dando às operações uma falsa aparência de prejuízos naturais impostos por quem se arrisca no mercado financeiro. A CPI dos Correios, que investigou o mensalão em 2006, demonstrou isso de maneira cabal. Com a ajuda de técnicos, a comissão constatou que os fundos foram saqueados em operações fraudulentas que beneficiavam as mesmas pessoas que abasteciam o mensalão. Funaro chegou a insinuar a participação de João Vaccari no esquema em depoimento à CPI, em março de 2006.  Disse que Vaccari era operador do PT em fundos de pensão, mas que, por ter sabido disso por meio de boatos no mercado financeiro, não poderia se estender sobre o assunto. Sabe-se, agora, que, na ocasião, ele contou apenas uma minúscula parte da história.
A história completa já havia começado a ser narrada sete meses antes a um grupo de procuradores da República do Paraná. Em agosto de 2005, emparedado pelo Ministério Público Federal por causa de remessas ilegais de 2 milhões de dólares ao exterior, Funaro propôs delatar o esquema petista em troca de perdão judicial. “Vou dar a vocês o cara do Zé Dirceu. O Marcelo Sereno faz operação conta-gotas que enche a caixa-d’água todo dia para financiar operações diárias. Mas esse outro aqui, ó, o nome dele nunca saiu em lugar nenhum. Ele faz as coisas mais volumosas”, disse Funaro, enquanto escrevia o nome “Vaccari”, em uma folha branca, no alto de um organograma. Um dos procuradores quis saber como o PT desviava dinheiro dos fundos. “Tiram dinheiro muito fácil. Rural, BMG, Santos… Tirando os bancos grandes, quase todos têm negócio com ele”, disse. O corretor explicou aos investigadores que se cobrava propina sobre todo e qualquer investimento. “Sempre que um fundo compra CDBs de um banco, tem de pagar comissão a eles (PT)“, explicou. “Vou dar provas documentais. Ligo para ele (Vaccari) e vocês gravam. Depois, é só ver se o fundo de pensão comprou ou não os CDBs do banco.”
O depoimento de Funaro foi enviado a Brasília em dezembro de 2005, e o STF aceitou transformá-lo formalmente em réu colaborador da Justiça. Parte das informações passadas foi usada para fundamentar a denúncia do mensalão. A outra parte, que inclui o relato sobre Vaccari, ainda é guardada sob sigilo. VEJA não conseguiu descobrir se Funaro efetivamente gravou conversas com o tesoureiro petista, mas sua ajuda em relação aos fundos foi decisiva. Entre 2003 e 2004, os três bancos citados pelo corretor – BMG, Rural e Santos – receberam 600 milhões de reais dos fundos de pensão controlados pelo PT. Apenas os cinco fundos sob a influência do tesoureiro aplicaram 182 milhões de reais em títulos do Rural e do BMG, os principais financiadores do mensalão, em 2004. É um volume 600% maior que o do ano anterior e 1 650% maior que o de 2002, antes de o PT chegar ao governo. As investigações da polícia revelaram que os dois bancos “emprestaram” 55 milhões de reais ao PT. É o equivalente a 14,1% do que receberam em investimentos – portanto, dentro da margem de propina que Funaro acusa o partido de cobrar (entre 6% e 15%). Mas, para os petistas, isso deve ser somente uma coincidência…
Desde que começou a negociar a delação premiada com a Justiça, Funaro prestou quatro depoimentos sigilosos em Brasília. O segredo em torno desses depoimentos é tamanho que Funaro guarda cópia deles num cofre no Uruguai. “Se algo acontecer comigo, esse material virá a público e a República cairá”, ele disse a amigos. Hoje, aos 35 anos, Funaro, formado em economia e considerado até por seus desafetos um gênio do mundo financeiro, é um dos mais ricos e ladinos investidores do país. Sabe, talvez como ninguém no Brasil, tirar proveito das brechas na bolsa de valores para ganhar dinheiro em operações tão incompreensíveis quanto lucrativas. O corretor relatou ao Ministério Público que teve um segundo encontro com Vaccari, sempre seguindo orientação do “professor Delúbio”, no qual discutiu um possível negócio com a Funcef, mas não forneceu mais detalhes nem admitiu se as tratativas deram certo.
VEJA checou os extratos telefônicos de Delúbio remetidos à CPI dos Correios e descobriu catorze ligações feitas pelo “professor” a Vaccari no mesmo período em que se davam as negociações entre Funaro e o guardião dos fundos de pensão. O que o então tesoureiro do PT tinha tanto a conversar com o dirigente da cooperativa? É possível que Funaro tenha mentido sobre os encontros com Vaccari? Em tese, sim. Pode haver motivos desconhecidos para isso. Trata-se, contudo, de uma hipótese remotíssima. Quando fez essas confissões aos procuradores, Vaccari parecia ser um personagem menor do submundo petista. “Os procuradores só queriam saber do Valdemar, e isso já lhes dava trabalho suficiente”, revelou Funaro a amigos, no ano passado. As investigações que se seguiram demonstraram que Funaro dizia a verdade. Seus depoimentos, portanto, ganharam em credibilidade. Foram aceitos pela criteriosa Procuradoria-Geral da República como provas fundamentais para incriminar a quadrilha do mensalão. Muitos tentaram, inclusive o lobista Marcos Valério, mas apenas Funaro virou réu-colaborador nesse caso. Isso significa que ele apresentou provas documentais do que disse, não mentiu aos procuradores e, sobretudo, continua à disposição do STF para ajudar nas investigações. Em contrapartida, receberá uma pena mais branda no fim do processo – ou será inocentado.
Durante a semana, Vaccari empenhou-se em declarar que, no caso Bancoop, ele e outros dirigentes da cooperativa são inocentes e que culpados são seus acusadores e suas vítimas. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o tesoureiro do PT disse que o MP agiu “para sacanear” e que os 31 milhões de reais sacados na boca do caixa pela Bancoop teriam sido “movimentações interbancárias”. Os documentos resultantes da quebra do sigilo bancário da entidade mostram coisa diferente. Entre os cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco, o Bradesco, “a imensa maioria”, segundo o MP, continha o código “SQ21” – que quer dizer saque. Algumas vezes aparecia a própria palavra escrita no verso (veja reproduções). Se, a partir daí, o dinheiro sacado foi colocado em uma mala, usado para fazer pagamentos, ou depositado em outras contas, não se sabe. A maioria dos cheques nominais ao banco (que também permitem movimentação na boca do caixa) não continha informações suficientes para permitir a reconstituição do seu percurso, afirma o promotor Blat. “De toda forma, fica evidente que se tratou de uma manobra para dificultar ou evitar o rastreamento do dinheiro”, diz ele.
Na tentativa de inocentar-se, o tesoureiro do PT distribuiu culpas. Segundo ele, os problemas de caixa da cooperativa se deveram ao comportamento de cooperados que sabiam que os preços iniciais dos imóveis eram “estimados” e “não quiseram pagar” a diferença depois que foram constatados “erros de cálculo” nas estimativas. Ele só omitiu que, em muitos casos, os “erros de cálculo” chegaram a valores correspondentes a 50% do preço inicial do apartamento. Negar evidências e omitir fraudes. Essa é a lei da selva na política. Até quando?

Cheques à moda petista

VEJA obteve imagens de cheques que mostram a suspeitíssima movimentação
bancária da Bancoop. O primeiro, no valor de 50 000 reais, além de exibir a
palavra “saque” no verso, traz o código SQ21, que tem o mesmo significado
(saque) e se repete na maioria dos cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma.
O segundo destina-se à empresa Caso Sistemas de Segurança, do “aloprado”
Freud Godoy, e pertence a uma série que até agora já soma 1,5 milhão de reais.
O terceiro mostra repasse da Germany para o PT, em ano de eleição.
A Germany, empresa de ex-dirigentes da Bancoop, tinha como único cliente
a própria cooperativa
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Empreitadas-fantasma

Fernando Schneider
“Entre 2001 e 2004, eu dei 15 000 reais em notas frias à Bancoop. 
Diziam com todas as letras que o dinheiro era para as campanhas do 
Lula e da Marta.”
Empreiteiro “João”, que prestou serviços à Bancoop
Um empreiteiro de 46 anos que prestou serviços à Bancoop por dez anos repetiu
à repórter Laura Diniz as acusações que passou oficialmente ao promotor do caso
Bancoop. O empreiteiro conta como emitiu notas frias a pedido dos diretores da
cooperativa, e ouviu que o dinheiro desviado seria destinado às campanhas de Lula
à Presidência, em 2002, e de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, em 2004
Qual foi a primeira vez que a Bancoop pediu notas frias ao senhor?
Quando o Lula era candidato a presidente. O Ricardo (o engenheiro Ricardo Luiz do
Carmo, responsável pelas construções da Bancoop) dizia que eram para a campanha.
Nunca me forçaram a nada, mas, se você não fizesse isso, se queimava. A primeira
nota fria que dei foi de 2 000 reais por um serviço que não fiz em um prédio no
Jabaquara. A Bancoop precisava assinar a nota para liberar o pagamento.
Quando era fria, liberavam de um dia para o outro. Notas normais demoravam
de dez a quinze dias para sair.
Quantas notas frias o senhor deu?
Entre 2001 e 2004, dei 15 000 reais em notas frias à Bancoop. Isso, só eu. Em 2004,
havia pelo menos uns 150 empreiteiros trabalhando para a cooperativa. Eles diziam
com todas as letras que o dinheiro era para as campanhas do Lula e da Marta e ainda
pediam para votar no Lula. Falavam que se ele ganhasse teríamos serviço para a vida
inteira. Até disse aos meus empregados para votar nele.
O que o senhor sabe sobre a Germany?
Sei que eles ganharam muito dinheiro. Um dia, ouvi o Luiz Malheiro, o Alessandro
Bernardino e o Marcelo Rinaldi (donos da Germany e dirigentes da Bancoop) festejando
porque o lucro do mês era de 500 000 reais. Eles estavam bebendo uísque e
comemorando num dia à tarde, na sede da Bancoop.

Mais vítimas da Bancoop

Fotos Fernando Schneider

“SE EU PAGAR MAIS, NÃO COMO”
“Eu e meu marido já colocamos todas as nossas economias no apartamento que compramos da Bancoop, mas as cobranças adicionais nunca param de chegar. Já gastamos 90 000 reais, eles querem mais 40 000. Paramos de pagar. Se pagar, não como. Eu me sinto revoltada e humilhada. Tenho muito medo de perder tudo.”
Tânia Santos Rosa, 38 anos, ex-bancária

“TENHO 68 ANOS E MORO DE FAVOR”
“Comprei um apartamento em São Paulo, paguei os 78 000 do contrato, mas só ergueram duas das três torres prometidas. A minha parou no meio. Eles queriam mais 30 000 reais, mas eu não tinha mais de onde tirar dinheiro. Queria jogar uma bomba na Bancoop. Hoje, ainda moro de favor na casa da minha sogra, para escapar do aluguel.”
Clóvis Pardo, 68 anos, aposentado

“VOU RECLAMAR PARA O LULA?”
“Comprei um apartamento da Bancoop em 2001 e ele nunca saiu do chão. Quitei tudo, os 65 000 reais, mas não tenho esperança de ver o prédio de pé. Queria o dinheiro de volta, mas acho que ele já foi todo gasto em campanhas do PT. Não tenho mais um centavo na poupança e ainda moro de aluguel. O que eu posso fazer? Reclamar para o Lula?”
Alda Cabral Ramos, 58 anos, representante comercial
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>Empreiteira pagou propina a PT e PMDB de pelo menos 2.900 milhões de reais

Posted on janeiro 23, 2010. Filed under: Camargo Corrêa, empreiteira, Operação Castelo de Areia, Polícia Federal, propina, Tucuruí |

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A empreiteira Camargo Côrrea acertou o pagamento de propina de pelo menos R$ 2,9 milhões ao PT e ao PMDB referentes à obra de Tucuruí, afirma relatório da Polícia Federal produzido durante a Operação Castelo de Areia, informou ontem o Estado de S.Paulo.

Os pagamentos aparecem em documentos digitalizados que foram apreendidos com Pietro Bianchi, um dos três diretores da construtora que são alvo de ações judiciais. Os supostos beneficiários do esquema seriam aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A Camargo Côrrea informou que não irá se manifestar sobre os documentos. E em resposta à divulgação do relatório, o presidente do Senado divulgou uma nota na qual qualifica como o envolvimento do seu nome na Operação Castelo de Areia como um “insulto” e afirma que o objetivo da acusação é “criar um escândalo”.

Fonte: Claudiohumberto

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>Corrupção eleitoral:17 milhões de brasileiros admitem ter vendido o voto

Posted on outubro 4, 2009. Filed under: ética, Corrupção eleitoral, Datafolha, propina, vender voto |

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O brasileiro tem noção clara dos comportamentos éticos e morais adequados, mas vive sob o espectro da corrupção, revela pesquisa inédita. Se o país fosse resultado dos padrões morais que as pessoas dizem aprovar, pareceria mais com a Escandinávia do que com Bruzundanga (corrompida nação fictícia de Lima Barreto), conclui-se deste “Retrato da Ética no Brasil”.

Por exemplo, 94% dizem ser errado oferecer propina, e 94% concordam ser repreensível vender voto -um padrão escandinavo, a região do norte da Europa que engloba países como Suécia e Noruega, os menos corruptos do mundo, segundo a Transparência Internacional.

Um país em que os eleitores trocam voto por dinheiro, emprego ou presente e acreditam que seus concidadãos fazem o mesmo costumeiramente; um país em que os eleitores aceitam a ideia de que não se faz política sem corrupção; um país assim deveria ser obra de ficção, como em “Os Bruzundangas” (Ediouro), livro de Lima Barreto de 1923.

Mas o Brasil da prática cotidiana parece mais com Bruzundanga do que com a Escandinávia. O Datafolha mostra que 13% dos ouvidos admitem já ter trocado voto por emprego, dinheiro ou presente -cerca de 17 milhões de pessoas maiores de 16 anos no universo de 132 milhões de eleitores.

Alguns declararam ter cometido essas práticas de forma concomitante. Separados por benefício, 10% mudaram o voto em troca de emprego ou favor; 6% em troca de dinheiro; 5% em troca de presente.

Dos entrevistados, 12% afirmam que estão dispostos a aceitar dinheiro para mudar sua opção eleitoral; 79% acreditam que os eleitores vendem seus votos; e 33% dos brasileiros concordam com a ideia de que não se faz política sem um pouco de corrupção. Para 92%, há corrupção no Congresso e nos partidos políticos; para 88%, na Presidência da República e nos ministérios.

O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em análise feita para o Mais!, em artigo à pág. 5, afirma que o resultado sociológico relevante da pesquisa é a convergência de opiniões sobre a corrupção e questiona os efeitos na democracia do que chama de fim da autonomia da consciência individual típica do liberalismo.

A antropóloga Lívia Barbosa, autora de “O Jeitinho Brasileiro” (ed. Campus), acredita que, apesar das desigualdades econômicas e sociais, os brasileiros das mais diferentes faixas etárias, de gênero e de renda, níveis de escolaridade e filiações partidárias pensam “corretamente” a respeito de ética, moralidade e corrupção. “Ou vivemos na Escandinávia e não sabíamos e, portanto, devemos comemorar; ou o que fazemos na prática corresponde pouco ao que dizemos que fazemos e pensamos que deveria ser feito”, escreve Barbosa à pág. 9.

Povo e elite
O cientista político Renato Lessa reedita máxima de San Tiago Dantas: “o povo enquanto povo é melhor do que a elite enquanto elite”. “Não ficamos “mal na fita”. Há uma generalizada e consistente presença de marcadores morais e éticos. Cremos saber o que é a corrupção e onde e quando se apresenta. No mais, desconfiamos dos outros”, escreve à pág 11.

O economista Marcos Fernandes Gonçalves da Silva lembra (pág. 8) que a percepção de corrupção gigantesca não é um fenômeno brasileiro. Está em alta em países tão díspares como Argentina, Coreia do Sul, e Israel. A cobrança de propinas, especialmente associadas à “pequena corrupção”, é endêmica pelo mundo, diz ele, especialista no tema.

No Brasil, 13% ouviram pedido de propina, e 36% destes pagaram; 5% ofereceram propina a funcionário público; 4% pagaram para serem atendidos antes em serviço público de saúde; 2% compraram carteira de motorista; 1%, diploma.

Entre os entrevistados, 83% admitiram ao menos uma prática ilegítima ao responder a pesquisa (7% reconheceram a prática de 11 ou mais ações ilegítimas, admissão considerada “pesada”; 28% dizem ter praticado de 5 a 10 ações; 49% tiveram uma conduta “leve”, com até quatro irregularidades).

A pesquisa mostra que 31% dos entrevistados colaram em provas ou concursos (49% entre os jovens); 27% receberam troco a mais e não devolveram; 26% admitiram passar o sinal vermelho; 14% assumiram parar carro em fila dupla. Dos entrevistados, 68% compraram produtos piratas; 30% compraram contrabando; 27% baixaram música da internet sem pagar; 18% compraram de cambistas; 15% baixaram filme da internet sem pagar.

São os mais ricos e mais estudados os que têm as maiores taxas de infrações (97% dos que ganham mais de dez mínimos assumem ter cometido infrações e 93% daqueles que têm ensino superior também), sendo que 17% dos mais ricos assumem frequência pesada de irregularidades (11 ou mais atos). Entre os mais pobres, 76% assumem infrações; dos que têm só o ensino fundamental, 74% afirmam o mesmo.

Apesar disso, 74% dizem que sempre respeitam as leis, mesmo se perderem oportunidades. E 56% afirmam que a maioria tentaria tirar proveito de si, caso tivesse chance.

A pesquisa do Datafolha tem o mérito de colocar em foco problema crucial nacional. Uma discussão sobre se o Brasil deve seguir Bruzundanga.

A obra que retrata a República dos Estados Unidos da Bruzundanga foi lançada no ano seguinte à morte de Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), autor consagrado por livros como “Triste Fim de Policarpo Quaresma”.

“O valo de separação entre o político e a população que tem de dirigir faz-se cada vez mais profundo. A nação acaba não mais compreendendo a massa dos dirigentes, não lhe entendendo estes a alma, as necessidades, as qualidades e as possibilidades”, escreveu Lima Barreto. E concluiu: “Um povo tem o governo que merece”.

Fonte: Folha de S. Paulo

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