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>Classe média nova e eleição

Posted on março 2, 2010. Filed under: Classe média, Eleição, pesquisa, renda familiar |

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A grande pergunta da eleição para presidente é saber em quem vai votar a nova classe média que surgiu no Brasil nos últimos anos. Sua renda familiar estaria entre 1.100 e 4.800 reais. Segundo uma informação estariam nessa faixa de ganho cerca de 90 milhões de brasileiros ou quase metade da população do país. Decide qualquer eleição.

André Singer, que fez pesquisa sobre o assunto, diz que esse contingente poderia votar não com o PT, mas nessa figura nova da política nacional: no lulismo. Bolívar Lamounier, outro que fez pesquisa nesse segmento, não acha que essa classe esteja vinculada a gentes e lados políticos. O que ela quer é continuar com os benefícios que conseguiram e iria contra quem atrapalhasse isso.

Vou meter minha colher de pau nesse assunto. Singer pode estar certo para esta eleição e Lamounier para o longo prazo das eleições no Brasil ou quem mexer nos ganhos da nova classe seria fuzilado por ela.

Para esta eleição, porém, pode ser que ela vote, em sua maioria, onde o Lula pedir. Tem receio de que outro possa fazer mudanças. E o Lula vai fazer a eleição em cima disso, falando o tempo inteiro que não se pode mudar, a continuidade só virá com a sua candidata.

A pesquisa de Lamounier mostra que o grau de instrução dessa classe é ainda baixo. Não dá para ela definir rumos futuros em cima de números apresentados. Funcionaria mais, no caso, a emoção (Lula é bom nisso) e não a lógica de dados, números e história. Talvez no futuro, quando ela melhorar seus conhecimentos.

Não adianta arguir também que o que está acontecendo é fruto do trabalho de mais de um governo. Essa classe média, por agora, não vai olhar por aí. Se a melhora em sua vida ocorreu agora, o rei de plantão levaria os benefícios.

Lula está perdendo o apoio da antiga classe média urbana, aquela que votava sempre no PT. Aquela ascendeu, Lula está ganhando espaço nessa outra. É o lulismo que ganha e não o PT. É o Lula que poderia transferir esse voto a Dilma Rousseff.

Então ela já ganhou a eleição? Pode perder para ela mesma. Se pisar na bola, não se explicar direito, cometer gafes, aí pode dançar. O PSDB é bom para explorar esses detalhes. É só lembrar do caso Ciro Gomes na eleição de 2002. Já estava ameaçando o Serra ir para o segundo turno quando falou algumas coisas que não deveria falar e o PSDB pegou duro nele. Se a Dilma titubear na eleição pode receber tratamento igual.

Se, por outro lado, ela, para não errar, se calar o máximo possível, deixar o Lula falar por ela, pode ser ruim também, passaria uma imagem negativa. A oposição pode entrar por aí. É o que FHC já está fazendo ao dizer que ela é apenas reflexo de um líder. Se a tal classe média nova perceber isso, com receio de entrar alguém no governo sem capacitação adequada, poderia não aceitar o convite do Lula para votar nela.

Mas, se não ocorrer nada de anormal, é possível arguir que a maior parte dessa nova classe poderia votar na candidata indicada pelo presidente. Para o futuro a história é outra.

Autor: Alfredo da Mota Menezes -E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
Fonte: A Gazeta
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