Robin Hood

>Robin Hood, não: Hood Robin…

Posted on agosto 11, 2009. Filed under: Hood Robin, Robin Hood |

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Por Carlos Chagas

Anunciando que iria provar seu novo par de sapatos alemães e dizendo não se arrepender do engavetamento das 11 representações contra José Sarney no Conselho de Ética do Senado, saiu-se o senador Paulo Duque com estranha imagem. Comparou-se ao Robin Hood porque, em seu entender, age em favor dos pobres contra os ricos.

Com todo o respeito não aos cabelos brancos, porque o representante do Rio de Janeiro é careca, vale inverter a equação. Ele não é o Robin Hood, porque sua iniciativa apenas favoreceu a nobreza senatorial. Prejudicou a plebe, no caso, as oposições, ainda que cercadas pelo apoio nacional. Paulo Duque, na realidade, é o Hood Robin, aquele que tirava dos pobres para dar aos ricos.

Anuncia-se para hoje a tentativa dos rebeldes da Floresta de Sherwood de reverter a decisão no Conselho de Ética através da aceitação de recurso referente a apenas uma das representações. Para isso, os oposicionistas precisarão do voto de três senadores do PT. Com os cinco que detém, chegariam a oito, mais da metade dos quinze do total.

Quem quiser que mantenha as esperanças, mas fica claro que os três companheiros estão mais para súditos do rei João Sem Terra do que para companheiros do Robin Hood. Terão tudo a perder se caírem na ira do trono, lembrando que nessa novela não haverá o capítulo do retorno de Ricardo Coração de Leão…

PLANTÃO EM CIMA DO MURO
Por mais atenções que o presidente Lula dedique ao PMDB, não há certeza sobre o partido apoiar Dilma Rousseff. Os cardeais peemedebistas dão plantão em cima do muro, ainda que sorrindo para a candidata e seu patrono. Hesita o próprio presidente licenciado, Michel Temer, apesar de cogitado para vice na chapa do PT.

Não se cometerá a injustiça de supor o PMDB exigindo mais ministérios ou diretorias de estatais para engajar-se na decisão presidencial. O problema situa-se tanto nas possibilidades eleitorais da chefe da Casa Civil quanto na delicada questão de sua saúde. Ficar com o vencedor constitui a regra maior dos herdeiros do dr. Ulysses, que se estivesse entre nós já teria chutado o pau da barraca e exigido que o maior partido nacional apresentasse.

Longe de ter sido retirada, a escada do outro lado do muro permanece em pé, sustentada por Orestes Quércia, partidário declarado da candidatura José Serra. Não seria surpresa alguma se o PMDB apoiasse o governador paulistas, ou, mesmo, Aécio Neves. Não há prazo para a decisão, já que apenas para março está prevista a convenção nacional, com dupla finalidade: eleger o novo presidente do partido e posicionar-se diante da sucessão presidencial. Até lá, a palavra de ordem é respaldar o governo, claro que em troca da ação enérgica do presidente Lula em favor da permanência de José Sarney na presidência do Senado.

MARINA ATRAPALHA
A senadora Marina Silva medita sobre a possibilidade de trocar o PT pelo PV e aceitar sua candidatura à presidência da República lançada pelos ecologistas. Não como revide à candidata Dilma Rousseff, responsável por sua demissão do ministério do Meio Ambiente, mas em função do imponderável. Caso Dilma não decole, o PT e o presidente Lula ficarão em situação difícil, pela falta de candidato próprio. Marina poderia ser a saída, mesmo não se constituindo numa companheira ortodoxa. Hoje, sua candidatura atrapalha. Amanhã, poderá ajudar a salvar o poder para seus atuais detentores.

O inusitado nesse tabuleiro de especulações é que as mulheres estão vencendo: Dilma Rousseff, Heloísa Helena e agora Marina Silva são hipóteses. Entre os homens, José Serra e Aécio Neves. Três a dois, por enquanto.

QUAL FOI O MINISTRO?
Numa tranqüila sessão da Comissão de Agricultura do Senado, quem surpreendeu foi o senador Gerson Camata. Sem mais aquela, insurgiu-se contra a proposta de transformação de dois municípios do Espírito Santo em reservas indígenas, decisão que o presidente Lula acabou revogando. O inusitado nessa história foi a denúncia de Camata: as reservas foram sugeridas ao palácio do Planalto “por um ministro que estava de porre quando sobrevoou a região, de helicóptero”. Apesar de poucas dúvidas a respeito, nenhum senador ousou perguntar ao representante capixaba qual foi o ministro…

Não faz muito os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa só faltaram sair no tapa, em plena sessão do Supremo Tribunal Federal. No governo, os ministros Alfredo Nascimento e Carlos Minc tratam-se aos palavrões. Por que o Senado seria diferente? O espetáculo de baixaria explícita encenado por Renan Calheiros e Tasso Jereissati segue o mesmo modelo.

Nossas instituições são o reflexo da nação. Nem melhores nem piores do que a sociedade nelas refletida. Tem sido sempre assim através dos tempos, apenas com a diferença de que agora tudo, ou quase tudo, é transmitido pela televisão. Sendo assim, a culpa é das telinhas. O raciocínio, por mais abominável que pareça, frequentou o Supremo Tribunal Federal e por pouco não se corporificou na proibição de as sessões daquela corte serem transmitidas ao vivo. A sugestão era para editá-las, primeiro. Agora, a excrescência mudou-se para o Senado. Aliás, já prevalece no Executivo , porque nenhuma das reuniões do ministério pode ser acompanhada pelos telespectadores.

Neste fim de semana circulava pelo Senado a proposta do restabelecimento da censura. Para começar, nos meios eletrônicos oficiais. No caso, na TV-Senado. Depois, certamente, nas empresas privadas. Assim, os entreveros deixariam de ser conhecidos e todos poderiam lambuzar-se, senão em paz, ao menos em segredo. É bom tomar cuidado. A censura depende daqueles que detêm os instrumentos para censurar. Para acabar com a febre, querem quebrar o termômetro.

Fala-se dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Foram indicado pelo presidente Lula: Cezar Pelluso, Carlos Ayres de Brito, Joaquim Barbosa, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carmem Lúcia Rocha e Carlos Alberto Meneses Direito.

Dos demais, Celso de Mello foi nomeado por José Sarney, Marco Aurélio de Mello, por Fernando Collor e Ellen Gracie e Gilmar Mendes, por Fernando Henrique Cardoso.

Por que se apresenta essa relação? Porque caso a candidatura Dilma Rousseff não decole, só restará ao PT e aliados a proposta da continuação do presidente Lula no poder, disputando um novo período ou tendo seu mandato prorrogado. Seria necessária alteração constitucional, coisa que o combalido Congresso aprovaria em quinze minutos. Logo as oposições recorreriam ao Supremo, arguindo inconstitucionalidade. Nessa hora, a fatura seria apresentada.

Termina ano que vem o mandato dos senadores Tasso Jereissati e Patrícia Gomes. O deputado Eunício Oliveira, futuro presidente nacional do PMDB, é candidato certo. O ministro da Previdência Social, José Pimentel, também. Patrícia já se conformou em não disputar a reeleição, devendo candidatar-se à Câmara dos Deputados. Tasso não tem certeza de ser escolhido e joga seus cacifes na candidatura José Serra à presidência da República. Será ministro, no caso da vitória do governador paulista. Talvez por isso ande tão inquieto e explosivo.

Carlos Chagas é jornalista em Brasília – E-mail: carloschagas37@uol.com.br


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