Satiagraha

>Extra: Satiagraha era “uma missão determinada pela Presidência da República”

Posted on março 14, 2009. Filed under: Ministério Público, presidência da república, Protógenes Queiroz, Satiagraha |

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Juiz e procurador sabiam da atuação ‘não formal’ da Abin

  • Em depoimento, delegado diz que ordem partiu do Planalto

Documentos: Reprodução de Veja

Na noite de 12 de setembro de 2008, o delegado Protógenes Queiroz compareceu expontaneamente à Procuradoria da República no Distrito Federal.


Às 19h45, prestou um depoimento formal.

Ouviram-no três procuradores: Gustavo Peçanha, Lívia Nascimento Tinôco e Vinícius Fernando Alves Fermino.


Àquela altura, Protógenes já havia sido afastado do comando da Satiagraha, operação que levara Daniel Dantas à prisão.


A trinca de procuradores abrira uma investigação criminal para apurar supostos desvios de conduta cometidos na ação policial.


A apuração do Ministério Público corre sob o número 2008.34.00.028228-0.


Deve-se ao repórter Expedito Filho a revelação do conteúdo do depoimento de Protógenes.


Com seis meses e dois dias de atraso, a platéia fica sabendo que o delegado revelara aos procuradores o seguinte:

1. A Satiagraha “era uma missão determinada pela Presidência da República”;


2. O destinatário da ordem foi “o DPF [delegado da Polícia Federal] Paulo Lacerda”;


3. A operação foi deflagrada graças a “informações repassadas pela Abin” ao governo.


O delegado Protógenes está subordinado ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que responde ao ministro Tarso Genro (Justiça).


Ao situar no Palácio do Planalto a origem da ordem que detonou a Satiagraha, Protógenes revela a existência de uma inusitada subversão à cadeia de comando.


De resto, o delegado aproxima do local de trabalho de Lula uma operação policial que, meritória nos fins, extrapolou nos meios.


De investigador, Protógenes foi convertido em investigado. Tornou-se alvo de uma correição da própria Polícia Federal.


Na semana passada, soube-se que, sob a investigação legal, o ex-mandachuva da Satiagraha estruturou uma rede clandestina de espionagem.


Perscrutou os passos de ministros, ex-ministros, senadores, juízes, jornalistas e advogados.


Nem a vida amorosa de Dilma Rousseff escapou à bisbilhotice.


Protógenes serviu-se do auxílio de espiões da Abin. Dois ou três, disseram as autoridades no ano passado. Mais de 80, a correição da PF descobriria depois.


Pois bem, no depoimento aos procuradores Gustavo Peçanha, Lívia Tinôco e Vinícius Fermino o delegado fez uma outra revelação incômoda.


Disse que o juiz Fausto de Sanctis e o procurador Rodrigo de Grandis, que atuam na Satiagraha, tinham conhecimento da participação da legião da Abin no caso.


A afirmação de Protógenes é desconfortável porque De Sanctis e De Grandis haviam atestado publicamente que não foram cientificados acerca das ações da Abin.


Ouça-se o que dissera o juiz num depoimento à CPI do Grampo, em agosto do ano passado:

“Sobre a participação da Abin, eu também não tenho como responder, é fato concreto. Isso vai chegar provavelmente ao meu conhecimento. Se isso tudo é verdade, vou ter de apreciar futuramente”.


O procurador soara ainda mais taxativo ao ser indagado por repórteres sobre o tema no ano passado: “Não, eu não sabia”. Alguém está mentindo.


Fica-se com a óbvia sensação de que alguém está mentindo.


Reconvocado para prestar depoimento à CPI da Câmara, Protógenes talvez se anime a iluminar o mistério.


Por uma dessas coincidências do destino, o depoimento foi marcado para 1º de abril, o Dia da Mentira.


Alheio às armadilhas do calendário, Protógenes disse, numa palestra a estudantes de Goiânia, que vai à CPI com a disposição de “dar nomes aos bois”.


A julgar pelo tamanho do rebanho tangido pela rede de bisbilhotagem que comandou, nomes não haverão de faltar ao delegado. Mas Protógenes não especificou o tipo de ruminante que planeja nominar.


A despeito dos desdobramentos explosivos da investigação a que Protógenes é submetido pela PF, o governo não fez nenhum comentário sobre o caso.

Por ora, o único alvo de Protógenes que se animou a dizer meia dúzia de palavras foi Dilma Rousseff.


Disse que não tem medo de escutas telefônicas. Não há vestígio de que a ministra tenha sido grampeada. De resto, pôs em dúvida a veracidade do noticiário.


No mais, imperou o silêncio. Já na semana passada o noticiário roçara o Planalto. Viera à luz um depoimento dado à PF por Lúcio Fábio Godoy de Sá.


Trata-se de um dos agentes da Abin que atuaram na Satiagraha sob ordens de Protógenes.


Dissera ter ouvido do delegado o seguinte:

“Tratava-se de uma investigação que envolvia espionagem internacional”. Coisa do “interesse do presidente da República”

Lula “queria essa investigação porque até o próprio filho do presidente teria sido cooptado por essa organização criminosa”.

O depoimento de Protógenes à Procuradoria, agora pendurado nas manchetes, confere ares de veracidade ao testemunho do araponga.


E o silêncio do Planalto resulta, por assim dizer, num barulho ensurdecedor.


Resta torcer para que o delegado Ricardo Saadi, sucessor de Protógenes no comando da Satiagraha, tenha avançado na investigação.


Os advogados que cuidam da defesa de Daniel Dantas, o suspeito-geral-da-República, tramam usar os desacertos de Protógenes para arguir a nulidade do inquérito.


A platéia não merece que a peça tenha semelhante desfecho.


Fonte: Blog do Josias de Souza

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