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>Com sede de esnobar o Brasil, seleção de Maradona bate o México por 3 a 1 e parte para cima da Alemanha

Posted on junho 27, 2010. Filed under: Argentina, Copa do Mundo, FUTEBOL, Maradona, seleção |

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A Argentina encanta, convence e ganha. Tem um ataque infernal que compensa a defesa que adora dar sustos. Maradona fica no banco, mas inspira. Põe o time para frente. Aplaude os erros em jogadas individuais, incentiva para a próxima tentativa. 
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AP Photo/Guillermo Arias

–> AP Photo/Guillermo Arias

Maradona e jogadores da Argentina comemoram da vitória sobre o México
Neste domingo, o time “hermano” mostrou tudo isso e ainda contou com duas “ajudonas” contra um coadjuvante que também agradou. A vitória por 3 a 1 sobre o México valeu uma vaga nas quartas de final e muito mais: foi o contraponto da Copa marcada por muitas partidas fracas tecnicamente.
  • Getty Images Mexicanos reclamaram muito de impedimento no 1º gol argentino
  • AP/Ivan Sekretarev Osório errou na saída e Higuaín fez seu quarto gol no Mundial
  • Dani Ochoa de Olza/AP Com uma bomba, Tevez marcou seu segundo gol na partida
  • Para frente: O ataque argentino foi infernal no 1º tempo – rápido e habilidoso, brigou e fez os gols.
     
    Parelho: O México perdeu, está eliminado, mas jogou de igual para igual. Quase abriu o placar.
     
    Conta fechada: O 2º gol de Tevez eliminou qualquer chance de reação aos 7min da etapa final.
O próximo desafio terá gosto de revanche para os argentinos. Eles enfrentam a Alemanha, que atropelou a Inglaterra por 4 a 1. Na Copa passada, em 2006, os alemães eliminaram a Argentina nas quartas de final na disputa por pênaltis. O reencontro, então, já tem data (sábado), hora (11h de Brasília) e local (Cidade do Cabo) marcados.
Mas este domingo foi um dia para não se esquecer tão facilmente. Não bastasse o futebol envolvente dos argentinos, o duelo ainda teve inúmeros ingredientes que só valorizam o espetáculo, gostem os politicamente corretos ou não.
Duas seleções rápidas e ofensivas, clima quente, falha grotesca de zagueiro e até um gol escandalosamente impedido, lembrando que a Fifa defende esse “fator humano” no combate à ajuda da tecnologia. E tudo isso no Soccer City, principal palco da África do Sul, com 84.377 torcedores.
Foi “apenas” um jogo de oitavas de final, mas já figura entre os melhores desta Copa. Tevez abriu o placar aos 26min totalmente impedido. Não satisfeito, mandou uma bola no ângulo na etapa final. Um golaço.
Higuaín, como bom matador, também fez o seu. Foi oportunista ao ganhar o presente de Osório e frio para driblar o goleiro, fazendo seu quarto gol e se isolando na artilharia do Mundial.
Messi é um capítulo à parte. Ele não para. Se cada vez mais o futebol mundial valoriza a força física, a obediência tática e a marcação total, o camisa 10 argentino vai no caminho contrário.
O atacante do Barcelona sabe como poucos fazer isso. Arrisca dribles com frequência e sai em arrancada. Muitos lances não dão certo, como aconteceu neste domingo. Mas ninguém reclama. Maradona apoia. E Messi, ainda sem nenhum gol na Copa, não desiste.
O México também merece aplausos. Fez um gol, mas poderia ter sido mais. O placar foi justo apenas com o ataque argentino. A equipe de Javier Aguirre levou perigo constante, chegou a ter mais domínio territorial e encarou o rival de igual para igual.
Mas foi pouco para superar a turma de Tevez, Higuaín, Messi, Maradona… A Argentina vai firme em busca do tri. A Alemanha que se cuide. Fonte: UOL Esporte
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>As chuteiras sem pátria

Posted on janeiro 6, 2010. Filed under: jogadores, Nike, perna-de-pau, redação, Roberto Carlos, Ronaldo, seleção, vestiário, Zidane |

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  • Arnaldo Jabor


Quando chega um fax com barulhinho de cornetas celestiais, eu já sei: é carta do Nelson Rodrigues. Não deu outra. Nelson me pedia para publicar um texto sobre a Copa, já que está sem contato nas redações: “Eu sou do tempo do Pompeu de Souza, do Prudente de Morais Neto… Não conheço esses meninos da redação…” . Muito bem, aqui vai seu comentário sobre o sábado da desgraça:

“Amigos, a derrota é um grande momento de verdade. Só diante da vergonha é que entendemos nossa miséria. Num primeiro momento, queremos encontrar uma explicação para o fracasso, mas fracasso não se improvisa – é uma obra calculada, caprichada durante meses, anos até. Não adianta berrar no botequim que o Parreira é uma besta ou que o Ronaldo é um gordo perna-de-pau. Não. Nosso fracasso começou antes, porque esta seleção não foi a pátria de chuteiras, foram as chuteiras sem pátria.


Para nossos jogadores ricos e famosos, o Brasil é a vaga lembrança da infância pobre, humilhada. O país virou um passado para os plásticos negões falando alemão, francês, inglês, todos de brinco e com louras vertiginosas. Não são maus meninos, ingratos, não, mas neles está ausente a fome nacional, a ânsia dos vira-latas querendo a salvação. O povo todo estava de chuteiras, para esquecer os mensalões e os crimes, mas nossos craques não perderam quase nada com a derrota, tiveram apenas um mau momento entre milhões de dólares e chuteiras douradas pela Nike.


Isso me faz lembrar o grande Neném Prancha do Botafogo: “Temos de ir na bola como num prato de comida!…” Que frase profunda, esquecida hoje… Nosso time come bem e nem os jogadores, nem os técnicos, nem os roupeiros e massagistas viram o óbvio, ali, uivando, ululando nos vestiários: o time estava sem conjunto, os jogadores estavam presos a um esquema tático que contrariava suas vocações. Só o povo berrava: “Ronaldo está gordo, Ronaldinho tem de atuar mais livre, os jovens têm de jogar mais!”. E quanto mais o óbvio se repetia, mais o Parreira se obstinava em sua lívida teimosia… Por quê? Porque o técnico é sempre contra a opinião geral. Em vez de orientar as vocações dos rapazes, ensinando-lhes a liberdade, a coragem e o improviso, o Parreira achou que todos têm de caber em sua estratégia. O pior cego é o surdo. E jogador brasileiro não gosta de lei nem de planejamentos, quer inventar sozinho. O técnico devia ser um reles treinador, quase um roupeiro, humilde diante dos craques. Mas o Parreira parecia um “Mussolini” de capacete e penacho. Teve vários sinais de tirania: só dava a escalação no vestiário, com os jogadores desamparados, na insônia da dúvida da convocação, não teve coragem de barrar as estrelas, como se isso fosse uma afronta ao passado e às multinacionais. Ronaldo fez gols, tudo bem, mas foi uma âncora pesada desde o início, em torno do qual os problemas giraram. Parreira ficou com medo dos jovens, e eu via em seus rostos o desespero do banco. Robinho arfava de rancor e só entrava quando era tarde demais. Robinho foi o único que chorou no final, ainda menino e puro. Quem teve a mãe seqüestrada sabe o que é tragédia. E, para escândalo do país, Robinho ficou de castigo. Ao final de tudo, Parreira disse a frase suicida: “Não estávamos preparados para perder!…” Isso é a morte súbita, isso é a guilhotina. Sem medo, ninguém ganha. Só o pavor ancestral cria uma tropa de javalis profissionais para a revanche, só o pânico nos faz rezar e vencer, só Deus explica as vitórias esmagadoras, pois nenhum time vence sem a medalhinha no pescoço e sem ave-marias. Mas Parreira ignorou a divindade e acreditou em si mesmo, com a torva vaidade de uma prima-dona gagá, com pelancas e varizes.


Isso é o óbvio, mas foi ignorado. E quando o obvio é desprezado, ficamos expostos ao sobrenatural, ao mistério do destino. Por exemplo, por que começamos o jogo como um corpo de bailarinos eufóricos e, 15 minutos depois, ficamos paralíticos como sapos diante de cascavéis, com o Zidane dando chapéus até no Ronaldo? Será que diante da Marselha sofremos um pavor reverencial? Em 98, Ronaldo caiu em convulsões de cachorro atropelado no vestiário. E agora? Creio que no sábado não estávamos com medo da França, não, o que tivemos foi medo de nós mesmos, voltou-nos o complexo de vira-latas, inibidos como vassalos diante do Luís XIV, de sapato alto e peruca empoada. Foi assim em 98 e agora. A França é muito chique para filhos do Capão Redondo e de Bento Ribeiro.


Mas todos sabem que quem ganha e perde as partidas é a alma. E a nossa estava dividida entre o match e a linha de passe, entre o show e a vitória. Houve o episódio da meia do Roberto Carlos, que, um segundo antes do gol da França, estava ajeitando a liga como uma madame Pompadour. Pelé notou o descuido frívolo e trágico, pois guerreiro furioso não conserta a roupa na batalha. Esse pequeno gesto revelou bastidores de equívocos fatais, teorias e teimosias.


Outra coisa que nos matou foi a torcida. Nunca houve uma torcida tão desesperada por uns minutos de paraíso, de brilho. Foi diferente de 1950. Lá, sonhávamos com um futuro para o país. Agora, tentávamos limpar nosso presente. Explico: há um ano, somos uma nação de humilhados e ofendidos, debaixo da chuva de mentiras políticas, violência e crimes sem punição. Descobrimos que o país é dominado por ladrões de galinha, por batedores de carteira e pelos traficantes. Por isso, a população queria que o scratch fizesse tudo que o Lula não fez. Mas era peso demais para os rapazes. A dez mil quilômetros, os jogadores ouviam os gemidos ansiosos das multidões de verde e amarelo, como uma asma patriótica. Não esperávamos uma vitória, mas uma salvação. Só a taça aplacaria nossa impotência diante da zona brasileira, a seleção era nossa única chance de felicidade. Queríamos a taça para berrar ao mundo e a nós mesmos: “Viram? Nós brasileiros somos maravilhosos!”


Mas não deu. É só.”

Fonte: A Gazeta

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