sonhos

>Copa 2014, a questão

Posted on julho 22, 2010. Filed under: Copa 2014, CUIABÁ, Mato Grosso, sonhos |

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 Por Onofre Ribeiro
No último domingo abordei o tema aqui neste espaço no artigo “Sonhos e falta de sonhos”. Nele anotava o pouco entusiasmo dos habitantes da cidade a respeito da próxima copa do mundo que terá Cuiabá como uma das sedes. Recebi muitos e muitos e-mails e comentários, todos divergentes entre si. Alguns, até agressivos, dizendo que a copa é uma babaquice e não vai trazer nada para a cidade. Outros eufóricos. Mas, lamentavelmente, a maioria dos e-mails e dos comentários foram de desânimo.
             
Não gostaria de entrar no mérito da copa neste artigo. Gostaria de falar um pouco sobre a nossa capital. Moro nela desde agosto de 1976. Era uma cidade pequena, com 100 mil habitantes, muito acanhada, concentrada no centro histórico, com alguns bairros nascendo num raio de 5 quilômetros, talvez.  Era um momento particularmente importante de ocupação da Amazônia e com sucessivas ondas de migração em busca de um suposto “eldorado” amazônico. Gente jovem gente adulta e muita gente cansada dos grandes conflitos agrários, sociais e econômicos do Sul e do Sudeste brasileiros.
             
A cidade cresceu depressa, mas da pior maneira. A maioria dos migrantes foi para as regiões novas do Norte, do Leste e do Noroeste de Mato Grosso. Uma grande leva era de gente pobre vinda do Nordeste do país trazida para ocupar o Território Federal de Rondônia, que o governo federal queria transformar em Estado, para viabilizar a ocupação regional e melhorar a performance política do cansado governo militar no Congresso Nacional.
             
Muita gente que veio não suportou a dureza das regiões novas, e os de Rondônia não agüentaram a falta de assistência. Todos desceram e se fixaram em Cuiabá, a partir de 1980, cansados, doentes e sem chances de voltarem às suas terras de origem. Assim, Cuiabá cresceu depressa demais com favelas, grilos e invasões de áreas urbanas. Aqui merece uma lembrança: deputados estaduais da época, federais e vereadores, coordenaram as invasões de terras urbanas em troca de votos.
             
Passados 30 anos, Cuiabá é essa cidade sem rumo e sem projetos. Enquanto Campo Grande se estruturou, Goiânia e até Porto Velho, Cuiabá é uma cidade esparramada, sem vias de escoamento adequadas e quase impossíveis de responderem aos fluxos de escoamento do tráfego urbano. Mas o pior,é a falta de projetos e de planejamento capazes de responder ao mínimo desses desafios. O poder público municipal de Cuiabá é absolutamente incapaz de responder. As instituições públicas e privadas não se incorporaram a esse desafio contribuindo ou discutindo. A população segue a sua rotina da cantilena de reclamar através da mídia, e nada mais!
             
De repente, a copa do mundo é a única e exclusiva oportunidade de se resolver o planejamento estratégico do curto e do médio prazos desse caos em que a cidade se transformou. Mas aí a cidade não responde. Uns, por saudosismo. Outros, por descrença. Outros, por inércia. Outros, por descompromisso. Outros por desculpe e descrença política. Alguns tentam responder. Mas a pressão contrária é absurda. Nesse ponto, acho que se Campo Grande tivesse sido escolhida, em vez de Cuiabá, lá eles teriam mais sinergia com as chances de transformações.
             
Concluo este artigo, lembrando que fora da copa não haverá salvação para Cuiabá nos próximos anos. Mas sem o aval da sociedade cuiabana, vai ser difícil. Muito difícil, porque a torcida contra é enorme!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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>Sonhos e falta da sonhos

Posted on julho 17, 2010. Filed under: Copa do Mundo de 2014, CUIABÁ, Dia do Comerciante, Empresários, Fifa, FUTEBOL, Futuro, Mato Grosso, Onofre Ribeiro, Rondonópolis, sonhos, tecnologias |

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Por Onofre Ribeiro
Na quarta-feira desta semana estivem em Rondonópolis para, entre outras coisas, fazer uma palestra na festa de comemoração do Dia do Comerciante, promovida pela Associação Comercial e Industrial da cidade. O tema foi os cenários de desenvolvimento de Mato Grosso no futuro.
A idéia inicial da palestra seria abordar os cenários mais voltados à região Sul, associando-os com o ambiente de desenvolvimento do estado. Mas quando cheguei, as solicitações para a abordagem concentraram-se em dois pontos: o que Rondonópolis pode esperar do futuro, e o que a Copa do Mundo de 2014 poderá trazer para o município. No aspecto da copa, o interesse é impressionante. Fui obrigado a comparar com o interesse de Cuiabá, onde a população está indiferente e parece até mesmo torcer contra. Entre uma e outra posição não há como não perceber que lá a auto-estima é forte, e na capital é baixa.
Os empresários de Rondonópolis têm a consciência de que o futuro depende deles, da sua participação, da sua cobrança aos poderes públicos, da sua interatividade com o município, e mais importante: da sua disposição de participar disso tudo. Outro ponto a favor. Na capital todos estão dispersos e ninguém fala uma língua única. Claro que o ambiente da capital é muito maior, mas a ausência de uma ação unificada, causa caos como esse que vem marcando a capital anos após anos.
No item Copa do Mundo, os rondonopolitanos querem saber até que ponto a região Sul será beneficiada e de que forma. Disse-lhes que um raio aproximado de 500 km no entorno de Cuiabá será atingido diretamente na forma de interesses para negócios antes e pós-copa e na exploração do turismo. A copa não só um monte de jogos de futebol. É um evento que na copa de 2006 na Alemanha, deu à FIFA 7 bilhões e meio de dólares de lucro líquido. Evento é coisa para se ganhar dinheiro. Não tem poesia. Isso explica o futebol a cada copa mais feio e mais sem graça nem arte. É porque o futebol é apenas um detalhe esportivo dentro do evento. O mesmo raciocínio se aplica ao vôlei, ao basquete, ao tênis, ao automobilismo e às olimpíadas mundiais. O esporte serve apenas para puxar dinheiro.
Desse modo, a região Sul com seus enormes potenciais de turismo terão forte atração de turistas e de negócios. São as águas quentes, os esportes radicais, a cidade de pedra, sítios arqueológicos, as serras e a cultura garimpeira com todas as suas nuances de culinária e de vida. Sem falar no turismo rural gerado pelo agronegócio, muito apreciado no mundo.
Se em 2006 33 bilhões de pessoas de 231 países do mundo assistiram às transmissões da copa da Alemanha, usando tecnologias mais antigas, imagine-se dentro de quatro anos como estarão as transmissões e o acesso de espectadores. Regiões como a Sul, o médio-norte, o Pantanal, serão profundamente atingidas pelos desdobramentos da Copa do Mundo de 2014. Mas, de concreto mesmo, queria deixar a observação: em Rondonópolis o futuro parece mais desejado e esperado do que em Cuiabá, onde uma folha que cai levanta desânimo e pessimismo. Que coisa! Parece que só Cuiabá não sonha…!
Onofre Ribeiro – Contato: onofreribeiro@terra.com.br
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>Professor, vendedor de sonhos

Posted on outubro 15, 2009. Filed under: Dia do Professor, sonhos, vendedor de sonhos |

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Os professores deveriam trabalhar menos e ganhar mais. Eles exercem uma missão tão nobre: educam os jovens para a vida. São os profissionais que mais contribuem para a humanidade, mas são muito desvalorizados profissionalmente. O resultado dessa desvalorização educacional é o caos que a sociedade vive: relativismo da dignidade humana, perdas dos valores morais: tudo é permitido, inclusive a profissionalização do sexo.

O governo que não valoriza os professores fere e mata intelectualmente os jovens, retarda e asfixia o futuro da nação. Investir na educação é acreditar e esperar por uma sociedade solidária, fraterna.

Percebe-se que muitos jovens não sentem vontade de estudar. Estão sem motivação, sem sonhos. Logo, atribuir a culpa só ao governo e aos professores seria, no mínimo, desonestidade intelectual.

Lembro-me que a última vez que os jovens saíram à rua e lutaram por um objetivo foi por ocasião do impeachment do presidente Collor, no ano de 1992. Os caras-pintadas encabeçaram esse movimento. Mas depois desse episódio os jovens tornaram-se passivos, uma massa amorfa, sem direção. Isso é preocupante.

Cá pra nós, um jovem que não tem sonho é um jovem que morreu, só falta ser sepultado. Vive-se a era dos estudantes “cadáveres”. Infelizmente, esta é a realidade de boa parte dos alunos. Eles raramente têm ideais, projetos de vida, sonhos. Como padre e professor fiquei preocupado por ocasião de um encontro vocacional com cerca de trinta e cincos jovens (rapazes e moças) quando indaguei quais eram os sonhos e perspectivas que eles tinham acerca do futuro.

Alguns responderam: – “Sonho? Hum… hum…, não tenho”. Indaguei de uma maneira diferente: O que vocês esperam do futuro? A resposta que me deram foi inquietante!: – “Não sei…, nunca parei pra pensar nisso!”

Essa resposta coloca em risco o futuro da nação. Os jovens do presente serão os profissionais do futuro. Quem não sonha não tem perspectiva de vida… Sem sonho nossa vida torna-se vazia, sem graça, sem motivação nenhuma. Sonhar é preciso.

Por isso, sugiro aos pais e professores o filme “O Rio” que nos ajuda a refletir acerca do futuro. Precisamos descobrir o viagra do sonho, para estimular e ajudar os jovens a sonhar, porque o futuro de uma nação passa pela determinação e sonhos dos jovens. Sonho de cursar uma faculdade e de fazer um mestrado, um doutorado; sonho de casar, ter filhos e constituir uma família, sonho de ter um bom emprego e tornar-se chefe da empresa onde trabalha…

Os professores são vendedores de sonhos. Eles mostram para os jovens que os sonhos são possíveis de ser realizados. Sonhar nos mantém vivos. Quem não sonha estaciona no tempo. Torna-se pedra de tropeço para os outros. Devemos sonhar todos os dias e mesmo que tais sonhos e objetivos não se realizem, nunca devemos recuar de nossos objetivos, pois a única derrota da vida é a fuga diante das dificuldades. Um jovem que morre lutando por seu sonho e por seu ideal de vida é um vencedor.


Autor:Lenildo Santana é padre da Diocese de Juína. Licenciado em Filosofia; bacharel em Teologia e pós-graduado em Comunicação Social-PUC-SP. Fonte: A Gazeta

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>Brasil dos nossos sonhos?

Posted on outubro 14, 2009. Filed under: Mato Grosso, Obras do PAC, sonhos, UFMT |

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Na década de 80, ainda estudando economia no Departamento de Economia da UFMT, hoje, Faculdade de Economia, eu e minha turma testemunhamos o Brasil dar um sonoro calote no FMI. O meu sentimento era de tristeza, afinal, uma moratória significava, sem tergiversação que o Brasil estava quebrando. Longe de nós, nacionalistas concordarmos com isto.

Hoje, quase 30 anos depois o que vemos? O Brasil emprestará US$ 10 bilhões ao mesmo FMI. Confesso que se mantido o nacionalismo estudantil eu deveria estar contente, afinal, como diz o próprio presidente Lula, “Isso dá ao Brasil “autoridade moral para continuar” reivindicando mudanças “que nós precisamos” no FMI e em organismos multilaterais”.

Ainda me lembro de um professor que dominava muito bem a questão do endividamento externo brasileiro. Ele lecionava a disciplina Economia Internacional. Sinceramente gostaria de conhecer sua opinião hoje sobre o assunto. Saudosismo à parte, não vejo como algo importante este empréstimo que o Brasil fará ao FMI, pois nosso país, mesmo com bilionárias transferências governamentais diretas, ainda registra um elevado nível de pobreza sendo que, milhões ainda passam fome.

Um outro sentimento que mantenho é o de qualquer cidadão que lê jornais. Como pode o Brasil emprestar dinheiro que não tem? Ou o Brasil já pagou os quase US$ 200 bilhões que deve? Ou ainda, estes US$ 10 bilhões são os mesmos que desde fevereiro circulam notícias de que o Brasil receberá US$ 10 bilhões da China que antecipou petróleo do pré-sal a um preço de US$ 13,00, por 10 anos, sendo que hoje o Barril está em torno de US$ 40,00?

Um outro aspecto que não pode ser ignorado é o fato de o Brasil haver sido descoberto no ano de 1500 e desde então sua economia vem sendo construída com muita dificuldade por governos e sociedade passada. É claro que os diversos ciclos econômicos que vivemos permitiram investimentos que geraram nossas riquezas nacionais e a poupança privada. Nada de novo começou agora, até mesmo o pré-sal teve sua descoberta no ano de 1975, portanto, ainda no regime militar.

O Brasil esqueceu o petróleo do pré-sal descoberto no campo de badejo na bacia de Campos, o presidente da República era o general Ernesto Geisel. Muito provavelmente não prosseguiram com as pesquisas em função da possibilidade de baixa produção do petróleo localizado no pré-sal naquela região. Porém, o aumento da oferta de petróleo se deu mais em função de um novo marco regulatório que, permitiu a entrada de novos investimentos beneficiando a própria Petrobras.

Assim anda o Brasil! Vamos emprestar dinheiro ao FMI! Também é bom lembrar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) é aquele mesmo que o partido do presidente Lula infestou o Brasil de norte a sul com a frase “Fora FMI, fora FHC”. Outros tempos. Mesmos personagens outras atitudes.

Por outro lado esta semana conversei com uma senhora aposentada que aguarda sua devolução de imposto de renda. A coitada quase foi à loucura quando mostrei-lhe o jornal com a notícia do empréstimo que o Brasil está fazendo ao FMI. Ouvi alguns adjetivos atribuídos ao presidente. Todos não publicáveis! Seguramente aquela senhora manifestou o sentimento de milhões de trabalhadores da classe média que vê um governo fazendo cortesia com o seu chapéu.

É chegada a hora dos líderes partidários e do Congresso Nacional exigirem que o presidente volte seus olhos para o interior brasileiro. Precisam alertá-lo de que seu espaço internacional já está assegurado, porém, internamente as coisas não são somente flores. Afinal, como andam as obras do PAC? Vamos ter obras concluídas no ano que vem para retirar a produção agropecuária do Centro-Oeste? E Mato Grosso?

São muitas as perguntas sem respostas, afinal este não é o Brasil de nossos sonhos. Não é possível continuar produzindo e transportando esta produção em milhares de quilômetros sobre rodas, ao mesmo tempo, ter um governo olhando para os holofotes internacionais.


Amado de Oliveira Filho é economista, especialista em mercados de commodities agropecuárias e direito ambiental – Fonte: A Gazeta. E-mail: amadoofilho@ig.com.br

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