superávit primário

>Para Delfim Netto a ajuda da economia mundial deu ao Brasil, terminou

Posted on novembro 7, 2010. Filed under: Delfim Netto, Dilma, FHC, Lula, Plano Real, superávit primário |

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João Wainer
O professor Delfim Netto acha que Lula entrega para Dilma Rousseff um governo melhor do que aquele que recebeu de FHC.
Com uma diferença: “A ajuda que o crescimento da economia mundial deu ao período Lula está terminando ou já terminou”.
O professor avalia que, sob Dilma, “o equilíbrio fiscal é fundamental”. Esgotaram-se “todos os truques possíveis”, disse Delfim. Acha que Lula e Dilma sabem disso.
Em entrevista aos repórteres Ivan Martins e José Fucs, o ex-cazar do milagre econômico da ditadura, que Lula converteu em conselheiro informal, declara-se otimista.
A conversa foi levada às páginas de Época. Delfim expôs diagnóstico e terapia. Soou em termos muito parecidos com os que vem sendo expostos por Dilma.
Abaixo, algumas das observações de Delfim:
– Conjuntura internacional: ”A Dilma recebe um governo muito melhor do que Lula recebeu. Com uma diferença: Lula pegou o governo quando vinha ventania de popa. Dilma vai receber o governo com ventania de proa. A ajuda que o crescimento da economia mundial deu ao período Lula está terminando ou já terminou.
– Consequências do novo cenário: “Você vai precisar de muito mais força do mercado interno se quiser manter seu ritmo de crescimento para continuar a distribuir renda. O Brasil precisará em 2030 dar emprego de boa qualidade a 150 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. Você não vai fazer isso exportando alimentos e minerais. Por mais complexas que sejam essas cadeias, você precisa de uma economia de serviços e industrial. Uma economia competitiva. Todas as políticas precisam incentivar a competição. Aliás, observem o que a Dilma disse sobre as agências reguladoras. Ela disse que gente competente será nomeada porque nós precisamos garantir a competição. Competição é o nome do jogo.
– Política fiscal: “Houve pequenos desvios na política fiscal em 2009 e 2010, mas há um grande exagero na crítica dos economistas que falam em desastre fiscal. […] A verdade é que não há desequilíbrio fiscal gigantesco no Brasil. Lula e Dilma sabem que o equilíbrio fiscal é fundamental. Eles sabem que a relação entre a dívida pública e o PIB é um fator importante quando se quer reduzir a taxa de juros real.
– Estratégia para baixar os juros: “É preciso coordenar a ação fiscal e monetária. Você tem de dar ao Banco Central o conforto de que o combate inteiro à inflação não vai ficar apenas na mão dele. O papel dele é construir, como construiu, uma expectativa de inflação estável. Mas o governo tem de sinalizar com clareza que vai reduzir a relação entre dívida e PIB daqui para a frente.
– Superávit primário: “Na verdade, você esgotou todos os truques possíveis. Se disser que vai aumentar o superávit primário aumentando a tributação, vai dar tudo errado. Mas reduzir a dívida implica o seguinte: os salários, os benefícios, os programas de redistribuição do governo, que são e foram fundamentais, terão de crescer ligeiramente menos que o PIB. De tal forma que se abra espaço para o investimento público. No passado, a carga tributária era de 24%, e o Brasil investia 4% do PIB. Hoje, a carga tributária é 36%, e o Brasil investe 1,5%.
– Poupança interna:  “[…] Temos de criar mecanismos de criação de poupança interna de longo prazo. E o Brasil tem uma vantagem em relação a isso: o mais sofisticado sistema financeiro de qualquer país emergente. O sistema financeiro brasileiro compete com o inglês e com o americano. Não tem comparação possível nem com o alemão. O Brasil está hoje no radar de 140 países e de 1,4 milhão de sujeitos que constituem seus portfólios com o real dentro”.
– Câmbio e juros: “É ilusão imaginar que você pode controlar o câmbio quando existe esse diferencial de taxa de juros em relação aos outros países. O Brasil é hoje o único peru com farofa disponível na mesa do mercado internacional. Por isso o dinheiro vem para cá. Não é possível controlar o câmbio com medidas fiscais, como a elevação do IOF. O ministro (da Fazenda) Guido Mantega sabe disso. Ele elevou o IOF em legítima defesa, porque a valorização cambial está destruindo um sistema sofisticadíssimo de produção que foi construído ao longo dos anos. Mas, para resolver a situação de forma duradoura, teremos de caminhar para uma taxa de juro real de 2% ou 3%. Isso é fundamental. Quando tivermos essa taxa, não vai mais ser preciso se preocupar com o câmbio.
– FHC X Lula: ”A ideia de que o mundo começou em 2003 é falsa, mas quem ajudou a fazer isso foi o PSDB. Ele é o maior inimigo do Fernando Henrique. O PSDB morre de inveja dele. Não consegue conviver com seu sucesso. Foi isso que ajudou o Lula a desconstruir FHC. Quando eles tentaram recuperar, já era tarde. […] Se você olhar, vai perceber que a privatização foi feita em estado de emergência. O Estado estava quebrado, precisava de dinheiro. E não há nenhuma privatização que não tenha produzido efeitos extraordinários. Mas o PSDB não foi capaz de defender as coisas mais importantes feitas por Fernando Henrique”.
– O Plano Real: “Foi uma pequena joia. Ter congelado a distribuição de renda sem que as pessoas tivessem entendido, ter liberado os preços, ter construído todo um equilíbrio no tricô e depois liberado tudo e ele continuar como estava. Foi uma coisa brilhante, um dos mais extraordinários planos de estabilização já construídos. Negar esse fato é uma estupidez”.
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Fonte: Escrito por Josias de Souza
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>Deixe a Dilma ganhar

Posted on fevereiro 18, 2010. Filed under: câmbio flutuante, contas públicas, CUT, Dilma Rousseff vencer a eleição, Jornalistas econômicos, MST, PIB, superávit primário, UNE |

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Dizem as melhores análises que o governo Lula vai deixar as contas públicas para o próximo presidente numa situação que inspira cuidado.

Jornalistas econômicos estão mostrando que o governo atuou bem em manter a santíssima trindade da economia: superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação. Além disso, reduziu a relação entre dívida e PIB e atuou bem em diminuir os efeitos da crise econômica recente.

Mas, mostram os números, o governo Lula aumentou a carga tributária de 32,54% em 2003 para 35,02% em 2009. Aumentou também os gastos públicos, incluindo novas contratações e aumentos reais de salário. Aumentou ainda o déficit da Previdência. O governo investiu pouco em infraestrutura (1% do PIB em comparação com os 16,3% em gastos públicos correntes). E infraestrutura de transporte é base para o crescimento econômico.

A consequência dos gastos do governo, incluindo os de combate à crise de 2008, trouxe fatores que atrapalham o crescimento econômico, como câmbio valorizado e juros altos.

Também o governo Lula, apesar do seu enorme capital político, não fez importantes reformas para o futuro econômico do país, como as previdenciária, tributária e trabalhista. Concordam as melhores análises do Brasil e do exterior que o país terá que atacar esses problemas se quiser crescer de forma sustentada nos anos à frente.

O próximo governo terá que pisar no breque para manter o equilíbrio fiscal e pagar suas contas. Se continuar no mesmo ritmo atual a casa cai. Terá que enfrentar também as reformas que trazem desgastes políticos.

Daí que talvez fosse até melhor a Dilma Rousseff vencer a eleição. Uma eleição com segundo turno e perdê-la por poucos votos, mostrando que haveria quase metade do país numa oposição. Deixar que a Dilma e o PT façam o reajuste nas contas públicas e as necessárias reformas.

Se for alguém da oposição vão fazer comparação com o governo Lula e este seria catapultado para o alto. Se for a Dilma, o problema econômico seria dividido com o governo que saía. Ela é considerada continuidade daquele. O governo Lula seria também responsabilizado pelo que estivesse acontecendo na economia.

Se for um presidente da oposição teria ainda que enfrentar o bate bombo da CUT, UNE, MST e tantas outras entidades que foram irrigadas com muito dinheiro público pelo atual governo. Todos chorando pelo governo Lula ou a volta do “nosso guia”.

Não dá para saber se esta situação foi criada de forma consciente ou não. Acho que não, mas se foi é um maquiavelismo de consequências perigosas para um país e uma enorme brutalidade histórica.

Autor: Alfredo da Mota Menezes. Fonte: A Gazeta. E-mail: pox@terra.com.br
Site: http://www.alfredomenezes.com

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>Lula quer reduzir meta de aperto fiscal em 2010 para gastar mais em ano eleitoral

Posted on abril 10, 2009. Filed under: arrecadação, dívida pública, Dilma Rousseff, eleições 2010, LDO, ministra-chefe da Casa Civil, PAC, Petrobras, PIB, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, superávit primário |

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Governo estuda tirar Petrobras de cálculo para elevar investimento em ano eleitoral

Na equipe econômica, há quem defenda excluir todas as estatais da conta, o que poderia resultar em superávit primário ainda menor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reduzir a meta de superávit primário para o ano eleitoral de 2010, eleições 2010, o que, na prática, abriria caminho para o aumento de despesas, especialmente investimentos em infraestrutura.

Segundo apurou a Folha, Lula e ministros debatem uma mudança de metodologia no cálculo do superávit na qual a Petrobras seria excluída da conta. Na prática, isso significaria um esforço fiscal menor. O superávit primário é a parcela da arrecadação tributária destinada ao abatimento da dívida pública.

Para o ano de 2009, a meta da Petrobras para compor o superávit primário federal é de R$ 14,9 bilhões. Com a estatal fora da conta, o governo teria liberado esse montante para investimentos num ano de eleição e no qual ainda lidará com efeitos da crise econômica internacional -sem falar nas despesas necessárias para a exploração do petróleo descoberto na camada pré-sal.

A redução do superávit deverá ser oficializada até o dia 15, prazo final para o governo enviar ao Congresso a proposta de LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2010. Com a mudança de metodologia, o governo poderia até manter no papel uma meta de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto). Na realidade, a economia seria menor.

No governo Lula, já houve uma mudança de metodologia que resultou na possibilidade de um superávit menor na prática. Criado em 2005, o PPI (Projeto Piloto de Investimentos) permite contabilizar 0,5 ponto percentual do PIB como parte do superávit em obras consideradas prioritárias. Esse 0,5 ponto percentual do PIB equivale hoje a R$ 15,6 bilhões.

Com o PPI e a Petrobras excluídos na prática do superávit, a meta poderia ficar contabilmente em 3,8%, mas ser de 2,8% na realidade.

A Folha apurou que, na equipe econômica, há quem defenda a exclusão de todas as estatais do superávit primário, o que poderia resultar num número menor ainda. Uma hipótese seria um superávit primário na casa dos 2,3% do PIB. Lula simpatiza com a ideia, segundo apurou a reportagem.

Cautela
O governo vem debatendo com cautela a redução do superávit primário porque ele tem sido um dos pilares da política econômica desde 2003, quando o PT chegou ao poder central e elevou as metas criadas na administração FHC. Ontem, o presidente discutiu o assunto com os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda) em seu gabinete no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) -local em que se instalou a sede do governo enquanto dura a reforma do Palácio do Planalto.

Na avaliação de Lula, a crise econômica internacional reforçou os argumentos dos que defendem maior intervenção estatal na economia. Com um superávit menor, o governo teria mais recursos para injetar na economia, o que ajudaria, na visão presidencial, a minimizar os efeitos recessivos no Brasil.

Do ponto de vista político e econômico, Lula acredita que terá discurso para justificar um superávit menor. Ele tem argumentado que a queda dos juros básicos (Selic) contribui para reduzir despesas do governo, pois também diminui o crescimento de sua dívida. Com a redução da Selic em 2009, o governo avalia que gastará menos R$ 15 bilhões no pagamento de juros da dívida.

Hoje, a dívida pública está na casa dos 37% do PIB. A equipe econômica diz a Lula que seria possível reduzir o superávit primário e mesmo assim manter essa relação estável ou com leve alta. Ministros afirmam que, no mundo inteiro, governos têm aumentado a sua dívida para combater a crise, e o Brasil poderia seguir esse caminho de forma responsável.

Do ponto de vista eleitoral, a redução do superávit vitaminaria o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a cargo da potencial candidata de Lula ao Planalto, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

KENNEDY ALENCAR
DA Folha de São Paula

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