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>A culpa é nossa: Usina termelétrica de Cuiabá não recebe mais gás da Bolívia

Posted on fevereiro 4, 2010. Filed under: Bolívia, CUIABÁ, gasoduto, gás, Petrobras, termelétrica, Usina, Usina termelétrica de Cuiabá |

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Gastou-se uma fortuna para se construir um gasoduto e a usina termelétrica de Cuiabá não recebe mais gás da Bolívia. Não vem nem gás para abastecer os carros ou a indústria.

Comenta-se que a Petrobras pediu ao governo boliviano que enviasse para Cuiabá o restante do gás que ela compra do país e não estaria consumindo. Evo Morales bateu o pé, disse que não manda, prefere vender para a Argentina.

E tem mais: ouvi dizer que tem grupo internacional querendo construir uma termelétrica em San Matias para, aproveitando o “nosso” gás, vender energia no estado. Se ocorrer, adeus à nossa termelétrica. Evo Morales deu prioridade e buscou empréstimos do BNDES para construir rodovias da Bolívia para o Brasil. Aquela que liga a MT não entrou na lista. Há uma bronca dos bolivianos com MT que merece análise.

A culpa é nossa. Tratamos muito mal os bolivianos e entrou no governo dali um nacionalista, orgulhoso do seu povo, que estaria mandando recado para cá de que não aceitam mais o tratamento que damos a eles.

Nós brasileiros falamos que os EUA nos tratam com arrogância, fazemos aqui a mesma coisa com os bolivianos. E não deveria ser. Precisamos deles para o gás, comércio de fronteira e regional, para o combate ao roubo de carros, tráfico de drogas e armas e também a febre aftosa. Mesmo assim os tratamos muito mal.

Eles reclamam que não obedecemos tratados internacionais como o de Roboré ou o de comércio fronteiriço. A Receita Federal e a Polícia Federal têm criado resoluções e portarias nessa relação sem levar em conta esses tratados. Reclamam os bolivianos que são medidas discriminatórias, que tratam a todos como marginais.

E para complicar, o governo Maggi entendeu de se afastar de um trabalho que havia de aproximação com eles. Virou-lhe as costas e hoje sofremos as consequências. Não manter o relacionamento entre os dois interesses foi um dos atos mais estranhos do atual governo.

Terá que ser reconstruído mais tarde. Nós precisamos dos bolivianos mais do que eles da gente. Não acredito que o Silval Barbosa teria tempo, em plena campanha eleitoral, para começar a reconstruir essa ligação com os bolivianos. O outro governo, ganhe quem ganhar, deve retomar esse caminho. Reconstruir as pontes dinamitadas de uma relação de fronteira que deve existir entre interesses mútuos.

Tem cada absurdo nesse relacionamento. Conto um, li o processo. Bolivianos de San Matias tentaram colocar um ônibus entre aquela cidade e Cáceres. Empresas de transportes do estado não aceitaram.

Para enrolá-los foi mandado para um órgão em Brasília para analisar o pedido deles. Não permitiram com a alegação de que o bagageiro era em cima do ônibus. O interessado tinha enormes ligações políticas no país, sua filha estava na política, com laços em Santa Cruz de La Sierra e La Paz. Uma falta de tato nossa que impressiona. Era somente um ônibus e não uma frota.

Acho que o que está havendo é uma resposta do nacionalista Evo Morales contra a arrogância que tratamos seus nacionais na fronteira. E a culpa é nossa. A parte maior cabe ao governo porque grupos e interesses no estado têm a mania de andar só se o governo pautar o caminho.

Não adianta gritar que o governo boliviano é isso ou aquilo. É um país independente e soberano, e que MT tem que aprender a lidar. Havia um início de trabalho nessa direção. Resolvemos acabar. Terá que ser recomeçado. O interesse é nosso.

Autor: Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
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