tonto

>Em nome dos tontos

Posted on fevereiro 23, 2010. Filed under: Em nome dos tontos, empreiteiras, imóveis, Legislativo, Ministério Público, tonto |

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Foram entregues casas de graça para pessoas que viviam em áreas de risco em Cuiabá. O governo, nos diferentes níveis, investiu 78 milhões de reais nessas construções. Agora, na boa matéria de Jonas da Silva em A Gazeta, ficamos sabendo que quase todas já foram vendidas. Em um dos residenciais, das 260 casas, 180 delas, ou 68%, foram vendidas.

Como é que pode ocorrer isso? O mais incrível é ler, na mesma matéria, representante da prefeitura falando que não sabia. Que se confirmar a venda, vai acionar o Ministério Público. Tem até faixas nas casas de “vende-se”. E não sabiam?

A lei proíbe a venda, só depois de dez anos e em casos extremos, como morte do titular. Tem gente que deu a casa para o irmão, filho ou parente para morar. Tudo contra a lei e ninguém sabia disso? Será que está acontecendo a mesma coisa com as casas que o governo estadual e federal estão também doando às pessoas?

Nos EUA foram construídos enormes blocos de apartamentos de três andares e sem elevadores para as pessoas mais pobres. O apartamento era do governo, nunca passado para quem morava. Quando a pessoa melhorava de vida e se mudava, o governo passava o apartamento para outra família. Se o morador não era dono, não podia vender ou alugar.

Além disso, havia olhar direto do governo nos residenciais. No caso de Cuiabá, ou sei lá se é no estado inteiro, parece que não há vistoria nenhuma e quem recebe uma casa pode vender, doar, emprestar e fica tudo por isso mesmo. Num ano eleitoral é que ninguém vai mexer nessa cumbuca.

Outra coisa doída que mostrou a citada matéria é a péssima construção desses imóveis. Em pouco tempo as paredes estão rachadas, a madeira usada é tão vagabunda que já está apodrecendo. As empreiteiras fazem o que querem e todos aceitamos, no plural mesmo. Ninguém é chamado à responsabilidade por entregar uma obra de segunda categoria.

Um dos construtores disse que já sanou os problemas. Como sanou, se todos que moram num dos residenciais estão reclamando da construção? A empreiteira até fica a cavaleiro depois que souber que não mora mais ali o primeiro que recebeu a casa. Ela pode alegar que quem a comprou que faça agora as correções. Quem comprou, porque é ilegal, fica sem poder fazer reclamações.

O poder público é que deveria cobrar as empreiteiras. Não faz talvez porque são elas que ajudam nas campanhas eleitorais de vereadores, deputados e para cargos executivos. Todo mundo com as mãos atadas faturando em cima da miséria alheia.

Por que o poder Legislativo não cria norma para se colocar uma placa grande na obra com o nome e endereço da empreiteira para que todos soubessem quem fez o serviço? Se atuou bem serve de propaganda para ela. Se não, receberá as bordoadas. Por que não se exige de verdade, e não de mentirinha, que a empreiteira faça os reparos nas casas nos cinco anos de garantia? Por que uma casa nova apresenta tantos problemas? O preço pago por casa não dava para fazê-la de forma adequada? Tinha que se pagar por fora a alguém e isso fez que se comprasse material de segunda categoria?

Estou eu aqui, como um tonto, querendo dar palpite numa realidade que não muda, mesmo num país que já não é o mesmo de antes em muitas outras áreas da vida nacional.

Autor: Alfredo da Mota Menezes – Fonte: A Gazeta. E-mail: pox@terra.com.br; http://www.alfredomenzes.com
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