transubstanciação

>Quem é quem ?

Posted on agosto 12, 2010. Filed under: Dilma, José Serra, Lula, transubstanciação |

>Por Merval Pereira

Eleições 2010 – O fenômeno da transubstanciação de Dilma em Lula é o maior desafio que o candidato oposicionista José Serra enfrenta, sem estar preparado para tal. Aliás, taxá-lo de oposicionista em ambientes populares o preocupa, e sua veia crítica só é utilizada em determinados ambientes e para determinados públicos. O que torna muito difícil a sua vida de candidato.
A capacidade de transferência de votos de Lula era menosprezada pelos tucanos, especialmente pela fragilidade da candidata tirada do bolso do colete, Dilma Rousseff, que era comparada nos bastidores da campanha de Serra ao marechal Teixeira Lott, pela inabilidade política.
Na eleição presidencial de 1960, Lott foi lançado candidato pela coligação governista PTB/PSD que elegera JK e dera sustentação ao seu governo.
Juscelino, interessado em voltar ao poder para um segundo mandato em 1965, (não havia reeleição na época) apoiou Lott, que foi derrotado por Jânio Quadros.
Tudo indica que os tempos são outros e, sobretudo, que Lula é mais popular no momento do que Juscelino jamais foi em sua época, e não há nada parecido com Jânio na postura política de Serra.
A começar pelo receio que o candidato do PSDB tem de atacar Lula, de ser visto como anti-Lula, coisa que não afetou a campanha de Jânio que, ao contrário, centrou seus ataques na corrupção, empunhou a vassoura saneadora e teve êxito.
Serra está à procura de temas que sirvam para atacar o governo Lula sem atacar o próprio, enquanto Dilma a cada dia valoriza mais o papel de “laranja eleitoral” de Lula, recusando-se a aprofundar o debate de políticas governamentais, passando apenas a única mensagem que interessa, a da continuidade do governo Lula.
No primeiro debate, realizado pela TV Bandeirantes, Serra mostrou o que deve ser o tema central de sua campanha eleitoral na televisão: críticas a temas específicos que são os que aparecem nas pesquisas como os mais mal avaliados do governo Lula: saúde, educação e segurança pública.
Na verdade, o governo Lula tem uma alta avaliação devido quase que exclusivamente à sensação de bem-estar experimentada pela população de maneira geral, e dentro desse clima é impossível querer tratar de temas polêmicos como as reformas da Previdência e da legislação trabalhista, por exemplo.
O próprio Lula, depois de ter iniciado o governo com ânimo reformista, tendo aprovado algumas mudanças importantes na área previdenciária, recuou desse ímpeto e nem mesmo regulamentou os avanços alcançados, anulando-os na prática para não entrar em atrito com os sindicatos.
Ao contrário, o governo Lula deu mais poder às centrais sindicais, reconhecendo-as formalmente e negociando com elas a política salarial do país.
Com a economia mundial de vento em popa, pode aumentar o alcance do Bolsa Família e aprofundar a política de dar aumentos reais ao salário mínimo, que vinha do governo anterior.
Nesse quadro de bondades sucessivas, não havia espaço para reformas estruturais do Estado, sem as quais o país não estará realmente preparado para um crescimento sustentável.
Mas como não é possível aos candidatos oposicionistas competitivos — na suposição de que Marina Silva do PV seja oposição — entrarem nessas discussões de fundo, seria de esperar que pelo menos contestassem o governo nas políticas setoriais que são frágeis.
Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...