Valdebran

>Ex-presidente do PT afirma que já tinha avisado a Abicalil e Lula o esquema Valdebran

Posted on abril 22, 2010. Filed under: Abicalil, esquema, Funasa, Lula, PT, Valdebran, vereador |

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Juca Lemos, ex-coordenador da Funasa   

O coleda Romilson Dourado do portal RDNews  publicou a seguinte matéria com o seguinte conteúdo: o ex-vereador por três mandatos por Rondonópolis, ex-coordenador regional da Funasa e ex-vice-presidente estadual do PT, Juca Lemos, autor das denúncias feitas em 2005 e que agora, quase cinco anos depois, resultou no indiciamento de 46 pessoas e na prisão temporária de 35 (vários já foram libertadas), revelou nesta quarta, em entrevista ao RDNews, que na época alertou o deputado federal Carlos Abicalil sobre as interferências de Valdebran Padilha junto à fundação, principalmente nos contratos e nos termos de parcerias. Conta que fez o comunicado porque foi o próprio Abicalil quem o indicou para o cargo e não a senadora Serys Marly, como declarou o parlamentar e presidente do PT no Estado. Segundo Juca, o deputado desconversou sobre o assunto. Alegou que não tinha ligação com Valdebran e que este era mais vinculado a Alexandre Cesar, hoje deputado estadual.
   
De acordo com Juca, Valdebran atuava tão forte na Funasa que interferia nos contratos. Assim que foi nomeado, o ex-vereador começou a receber pressão de Valdebran, que foi preso na Operação Hygeia e ganhou a liberdade na última segunda, 10 dias depois. Ele observa que não cedeu aos pleitos do homem que viria a ser chamado pelo presidente Lula de aloprado, numa referência aos petistas, incluindo o próprio Valdebran, que tentaram comprar dossiê do empresário Darci Vedoin para incriminar o então candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), em 2006, e que acabaram presos.
   
Juca afirma que dias depois de ter “expulso” Valdebran da Funasa e levado o fato ao conhecimento de Abicalil, acabou exonerado sem, sequer, um comunicado com antecedência. Lembra que quem o substituiu foi Evandro Vitório, funcionário de uma empreiteira de Valdebran, com respaldo dos petistas Abicalil e Alexandre e do presidente regional do PMDB, Carlos Bezerra. “Eu denunciei várias irregularidades nos contratos, com valores exorbitantes. Havia também problemas sérios com os veículos oficiais, enfim, havia um buraco grande na Funasa”, diz Juca, que ficou somente 100 dias no cargo de coordenador da fundação no Estado.
   
A “bomba” veio estourar agora, com a decisão da Justiça Federal de decretar prisão de Valdebran, do irmão dele Waldemir Padilha, e de outras dez pessoas suspeitas de envolvimento com o suposto esquema de fraudes que teria desviado ao menos R$ 51 milhões dos cofres da Funasa dos ministérios da Saúde e das Cidades. Foram para a cadeia também na Operação Hygeia a presidente da ONG Idheias, Maria Guimarães Bueno, que estava em Belo Horizonte (MG), o tesoureiro do PMDB-MT, Carlos Miranda, e José Luis Bezerra, sobrinho do deputado federal Carlos Bezerra, e vários servidores públicos.
   
Eles são acusados de participar de uma organização criminosa. Teriam influídos em decisões de órgãos da administração pública com práticas ilegais em contratos e em termos de parceria firmados. Pela estimativa da PF, desde 2006 o volume desviado pela suposta quadrilha pode superar a R$ 200 milhões. Os termos de parceria e as licitações realizadas envolviam acertos, subornos, pagamentos indevidos e corrupção de servidores.
      
Denúncia a Lula
    
Juca Lemos, que acabou rompendo com o grupo de Abicalil após sua exoneração da Funasa, revela que produziu um informativo interno na época e o distribuiu no 13º Encontro Nacional do PT, em São Paulo. Naquele encontro houve aprovação do nome de Lula à reeleição. Um dos panfletos foi parar nas mãos de André Singer, então porta-voz do governo. O ex-vereador conta que quatro dias depois esteve no Palácio do Planalto e, durante uma cerimônia, se aproximou do presidente e foi recebido com um abraço. Lula disse-lhe: “Juquinha, recebi seu material e vou determinar apuração rigorosa”. Em abril de 2006, a Polícia Federal colheu depoimento do ex-vereador e este reafirmou as acusações.
   
O informativo, em verdade, trazia denúncias assinadas pelo ex-coordenador da Funasa. Dizia que havia relação estreita entre Valdebran, Bezerra e Alexandre Cesar e que isso estava sendo nocivo para a fundação. Lembrava que o grupo havia indicado para o cargo um funcionário do aloprado que há tinha contrato com a Funasa. Por conta dessas acusações, Juca enfrenta processo na Justiça movido por Bezerra e Alexandre por calúnia e injúria. “Eu tenho me defendido na Justiça. Acho que a sociedade está vendo e espero que a Justiça puna quem se beneficiou ilegalmente de dinheiro público. Fiz meu papel enquanto cidadão”, diz Juca, que foi servidor efetivo do extinto Bemat e já presidiu no Estado o sindicato dos Bancários.
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