Zoneamento Agroambiental

>Goleiro bom e político têm que ter sorte

Posted on outubro 31, 2010. Filed under: Agecopa, Alfredo da Mota Menezes, Collor, Copa em Cuiabá, FMI, Lula, Petrobras, Zoneamento Agroambiental |

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Três assuntos

Por Alfredo da Mota Menezes
Acredito que goleiro bom e político têm que ter sorte. O caso Dante de Oliveira, quando Ulysses Guimarães escolheu sua emenda das diretas, é sempre citado. Catapultou a carreira dele. Lula, se eleito em 1989 na disputa do segundo turno com Collor, com a economia em frangalhos e como via o mundo por outro prisma, teria desaparecido na história. Elegeu-se na hora certa.

O Silval Barbosa tem sorte também. Pego dois fatos recentes. O pedido de demissão do Adilton Sachetti da presidência da Agecopa é um. Sem um tiro, sem um grito ou empurrão, caiu no colo dele. Não fez nenhum gesto que contrariasse o Maggi, seu aliado mais importante na eleição. Silval vai ordenar as despesas para a Copa em Cuiabá.

Outro fato foi o do gás. Será retomado, volta a usina termelétrica a funcionar e beneficiaria os carros a gás e empresas. Sem um grito extra ou empurrão, na hora mais apropriada para ele, tudo se encaixou.

Tenho conversado com muita gente da nova classe média brasileira, esta que está decidindo a eleição. Ela acredita com convicção que o governo Lula pagou toda a dívida externa do país.

Pagou a do FMI, não toda a externa, tento arguir. Ninguém tira da cabeça desse brasileiro que o Brasil não tem mais dívida. Olha para a gente até com cara de piedade por ser “contra” o Lula. Essa aceitação dele talvez seja porque o FMI aparece como bicho-papão em nossa história.

Ao emprestar dinheiro ou dar aval para que outros emprestassem, o FMI exige austeridade econômica dos governos. Nossa dívida externa não é com o FMI. Ele é apenas o xerife dos interesses capitalistas. Não consegui convencer ninguém disso.

Outro argumento que pegou é que querem vender a Petrobras. Ela vive do sistema de concessão criado no governo anterior. O que a Petrobras pode tocar, toca. O que não pode entrega a outros e recebe por isso. Não precisa privatizar nada.

Não sei se por pesquisa ou intuitivamente, não importa se diz a verdade ou não, Lula soube chegar a corações e mentes do eleitor com os mesmos argumentos em três eleições. A oposição não soube sair dessa armadilha, não criou um discurso alternativo. Talvez seja culpa da jactância paulista. Quem sabe o grupo de Minas Gerais possa entender melhor a situação.

A Assembleia Legislativa aprovou o Zoneamento Agroambiental. Acho que esse assunto foi prejudicial na eleição para o Alexandre Cesar. Seu relatório inicial, com normas ambientais mais rígidas, não foi aceito pelos deputados num ano pré-eleitoral. Perderiam votos num estado agropecuário. O Alexandre, por sua vez, passou a ser olhado enviesado pelo setor agropecuário.

A crítica vai para os ambientalistas de MT que não deram seu voto àquele deputado que enfrentara a classe econômica mais poderosa do estado em defesa do meio ambiente. Sua sinceridade o derrotou.

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
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